Doce Figo
Ao longo dos meus ramos cobriam verdes folhas
Brilhantes de orvalhos, redondos como bolhas
O caule tortuoso, de bela escultura
Não dava os seus brotos os pomos com doçura
Aparentava apenas ser árvore de frutos
Mas nada produzia, além de verdes musgos
Então alguém passando, falou-me com carinho:
“Figueira, não iluda os homens do caminho”
Pra que fingir ser boa, mais forte e graciosa
Se nunca deu um figo em sombra tão frondosa?
Em nada anuncie aquilo que não gera
Assuma as folhas secas por toda a primavera
Fingir que é formosa, burlando a verdade
Só traz pra sua vida vazio e inimizade
Revele sua essência, espere o tempo certo
Que todo bem alcança a fé de peito aberto
Desperte a coragem
Enquanto imperfeita
O belo é assumir-se
Na paz de quem se aceita!
Doce Higo
A lo largo de mis ramas cubiertas de verdes hojas
Brillantes de rocío, redondas como burbujas
El tallo retorcido, de bella escultura
No daba sus brotes, los higos con dulzura
Solo aparentaba ser árbol de frutos
Pero nada producía, solo verdes musgos
Entonces alguien pasando, me habló con cariño:
'Higuera, no engañes a los hombres del camino'
¿Para qué fingir ser buena, más fuerte y graciosa?
Si nunca dio un higo en sombra tan frondosa
No anuncies nada que no generes
Asume las hojas secas por toda la primavera
Fingir que es hermosa, engañando la verdad
Solo trae a tu vida vacío e inimistad
Revela tu esencia, espera el momento adecuado
Que todo bien alcanza la fe de pecho abierto
Despierta el coraje
Aunque imperfecta
Lo bello es asumirse
En la paz de quien se acepta!
Escrita por: Renata Almeida, Mauricio Keller