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Anabela

Renato Braz

Anabela

No porto de Vila Velha
Vi Anabela chegar
Olho de chama de vela
Cabelo de velejar
Pele de fruta cabocla
Com a boca de cambucá
Seios de agulha de bússola
Na trilha do meu olhar

Fui ancorando nela
Naquela ponta de mar

No pano do meu veleiro
Veio Anabela deitar
Vento eriçava o meu pelo
Queimava em mim seu olhar
Seu corpo de tempestade
Rodou meu corpo no ar
Com mãos de rodamoinho
Fez o meu barco afundar

Eu que pensei que fazia
Daquele ventre meu cais
Só percebi meu naufrágio
Quando era tarde demais
Vi Anabela partindo
Pra não voltar nunca mais

Anabela

At the port of Vila Velha
I saw Anabela arrive
Eyes like candle flames
Hair as if sailing
Skin like a native fruit
With a mouth of cambucá
Breasts like compass needles
On the path of my gaze

I anchored in her
On that tip of the sea

On the sail of my sailboat
Anabela came to lie down
The wind bristled my hair
Her gaze burned in me
Her body like a storm
Spun my body in the air
With hands like whirlwinds
She made my boat sink

I thought I made
That womb my dock
I only realized my shipwreck
When it was too late
I saw Anabela leaving
To never return again

Escrita por: Mario Gil / Paulo César Pinheiro