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Caminos de la Ladera

Renato da Rocinha

Meandros da Ladeira

Vida simples num barraco
Bem pregado com madeira
Com goteira no telhado
Decorado com esteira
Na janela um pano barato
Sem tramela era o portão
Vermelhão no cimentado
Luz de vela ou lampião

Uma andorinha de louça
Pendurada na parede
Num barril água salobra
Pra matar a minha sede
Soltar pipa nos barrancos
Pique-esconde, pirambeira
Pegar jaca, colher jambo
Nos meandros da ladeira

Mesmo sendo tão carente
Simplesmente eu fui feliz
Simplesmente eu fui feliz
Por entre becos e vielas
Da maior favela do país

Caminos de la Ladera

Vida sencilla en una choza
Bien clavada con madera
Con goteras en el techo
Decorada con esteras
En la ventana un trapo barato
Sin cerrojo era la puerta
Rojo en el cemento
Luz de vela o lámpara

Una golondrina de loza
Colgada en la pared
En un barril agua salobre
Para calmar mi sed
Soltar cometas en los barrancos
Escondidas, pirambeira
Recoger jaca, cosechar jambú
En los caminos de la ladera

Aunque tan necesitado
Simplemente fui feliz
Simplemente fui feliz
Entre callejones y callejuelas
De la mayor favela del país

Escrita por: Ocimar Santos, Renato da Rocinha