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Baile de Dos

Renato Motha

Dança de Dois

Foram dois olhares nesse olhar só
Suas mãos e as minhas, sua meiga voz
Eram duas bocas amarradas de batom
Desejos se apertando entre ares de Avon

Foram fantasias nesse carrossel
Corações de lata, sonhos de papel
Éramos tão frágeis, viajantes de neon
Embriagados no êxtase do som

E dançamos pela luz
Comprimidos entre forças
Assim como metais nus
Quebrando cascas de louça

E fizemos um só nó
Querendo-nos pelo avesso
Numa ponta meu corpo, na outra seu preço

Nos deixamos sem promessas
Desatados pelos corredores
Perdidos em nossas pressas
Abrigando-nos de pendores

Baile de Dos

Fueron dos miradas en esta mirada única
Tus manos y las mías, tu dulce voz
Eran dos bocas atadas con lápiz labial
Deseos apretándose entre aires de Avon

Fueron fantasías en este carrusel
Corazones de lata, sueños de papel
Éramos tan frágiles, viajeros de neón
Embriagados en el éxtasis del sonido

Y bailamos por la luz
Aplastados entre fuerzas
Así como metales desnudos
Rompiendo cáscaras de loza

Y hicimos un solo nudo
Queriéndonos al revés
En un extremo mi cuerpo, en el otro su precio

Nos dejamos sin promesas
Desatados por los pasillos
Perdidos en nuestras prisas
Abrigándonos de inclinaciones

Escrita por: Renato Motha / Vanderlei Timóteo