Palitoterapia
Oi, meu nome é paulo. Eu sou um palito.
Quem me vê aqui no meio desta caixa
Com fósforo vermelho na cabeça
Logo pensa: É só mais um palito
Que entre quarenta não faz muita diferença
É isso que me deixa aflito
Por que é que eu fui nascer palito?
Eu tenho toc e acho que a paralela dá azar
Por que é que eu não posso estar na perpendicular?
Eu fico realmente transtornado
Ser ou não ser palito? Mas como não sê-lo?
Todo mundo junto o tempo todo do meu lado
Que falta que me faz um cotovelo
Chega pra lá, chega pra lá, chega pra lá, chega pra lá
Oi! Meu nome é paulo. Eu sou um palito.
Bom, eu não sei nem por onde começar
Talvez o que me falte é paciência
Espero ansioso a hora certa
De liberar a minha fosforescência
E isso tá me consumindo
Eu não descanso nem dormindo
Sonhei que era uma pira olímpica outro dia
Mas tava ameaçado por um balde de água fria
Não posso mais ficar aqui parado
Alguém me tire dessa invalidez
Eu sou um gênio incompreendido e inconformado
Chega pra lá que agora é minha vez
Chega pra lá, chega pra lá, chega pra lá, chega pra lá
Oi! Meu nome é paulo. Eu sou um palito.
E eu que sou claustrofóbico escotofóbico
Não posso viver nesse lugar
Meu caso, acho que é palingenético
Preciso sair pra respirar
Preciso mais espaço, enfim,
Ter uma caixa só pra mim
Eu sei que tem palito aqui querendo me ferrar
Palito desonesto que não me deixa passar
Eu to entrando em desespero
E esse medo me deixa sem ar
Eu, que sou doente, tinha que sair primeiro
Mas aqui só tem chega pra lá
Chega pra lá, chega pra lá, chega pra lá, chega pra lá
E eu que vim lascado com defeito
Confesso, acho que não sou bonito
Desculpa, nem me apresentei direito
Meu nome é paulo, sou um palito
Repara como eu sou baixinho
Na certa, vim do nó do pinho
Inda por cima tenho a cabeça deformada
Me chamam de palito com azeitona temperada
Quando a caixa abrir vou me jogar
Não quero nem saber se isso é correto
Eu tenho uma farpa preparada pra atacar
Se alguém entrar na frente, eu espeto
Chega pra lá, chega pra lá, chega pra lá, chega pra lá
Um palito solitário não é nada
Um tamborim não faz um carnaval
A gente é uma pilha de indivíduo
Quem foi que disse que palito é tudo igual?
Mas isso é que dá o colorido
Palito batendo em palito
É tanto diz que diz, tanto riscado e zum zum zum
Que o ritmo da mesa do boteco fica
Um por um no dois por quatro do batuque
A caixa acústica empurrando o ar
A troça, o desacato, o tic tic, o creck e o truque
É todo mundo junto a reclamar
Chega pra lá, chega pra lá, chega pra lá, chega pra lá
Palitoterapia
Hola, mi nombre es Pablo. Soy un palillo.
Quien me ve aquí en medio de esta caja
Con una cerilla roja en la cabeza
Inmediatamente piensa: es solo otro palillo
Que entre cuarenta no marca la diferencia
Eso es lo que me pone ansioso
¿Por qué tenía que nacer palillo?
Tengo TOC y creo que la paralela da mala suerte
¿Por qué no puedo estar en la perpendicular?
Realmente me siento perturbado
¿Ser o no ser palillo? ¿Cómo no serlo?
Todos juntos todo el tiempo a mi lado
¡Cómo me hace falta un codo!
¡Aparta, aparta, aparta, aparta!
¡Hola! Mi nombre es Pablo. Soy un palillo.
Bueno, ni siquiera sé por dónde empezar
Quizás lo que me falte sea paciencia
Espero ansioso el momento adecuado
Para liberar mi fosforescencia
Y esto me está consumiendo
No descanso ni durmiendo
Soñé que era una antorcha olímpica el otro día
Pero estaba amenazado por un balde de agua fría
No puedo quedarme aquí parado más
Alguien sáquenme de esta invalidez
Soy un genio incomprendido e inconforme
¡Aparta que ahora es mi turno!
¡Aparta, aparta, aparta, aparta!
¡Hola! Mi nombre es Pablo. Soy un palillo.
Y yo, que soy claustrofóbico y escotofóbico
No puedo vivir en este lugar
Creo que mi caso es palingenético
Necesito salir a respirar
Necesito más espacio, en fin,
Tener una caja solo para mí
Sé que hay palillos aquí que quieren fastidiarme
Palillos deshonestos que no me dejan pasar
Estoy desesperado
Y este miedo me deja sin aire
Yo, que estoy enfermo, debería salir primero
Pero aquí solo hay 'aparta, aparta'
¡Aparta, aparta, aparta, aparta!
Y yo que vine defectuoso
Confieso, creo que no soy bonito
Disculpa, ni siquiera me presenté correctamente
Mi nombre es Pablo, soy un palillo
Mira lo bajito que soy
Seguramente vengo del nudo del pino
Encima tengo la cabeza deformada
Me llaman palillo con aceituna aderezada
Cuando la caja se abra, me lanzaré
No me importa si es correcto o no
Tengo una astilla lista para atacar
Si alguien se interpone, lo pincho
¡Aparta, aparta, aparta, aparta!
Un palillo solitario no es nada
Un tamborim no hace un carnaval
Somos una pila de individuos
¿Quién dijo que todos los palillos son iguales?
Pero eso es lo que da color
Palillo chocando con palillo
Tantas habladurías, tantos rayones y murmullos
Que el ritmo de la mesa del bar
Uno por uno en el dos por cuatro del ritmo
La caja acústica empujando el aire
La burla, el desorden, el tic tac, el crujido y el truco
Todos juntos quejándose
¡Aparta, aparta, aparta, aparta!
Escrita por: Daniel Galli