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La Perla del Aro de la Chica

Rhaissa Bittar

Pérola do Brinco da Moça

Dou-lhe uma... Dou-lhe duas... Dou-lhe três!

Eu posei pra um holandês que pintou-me certa vez, atirando-me à vara
Pois só dois séculos depois é que fui avaliada pelos olhos da cara
Eu, uma pérola distinta, atingida pela tinta que cobria a high society
Linda, assediada, admirada, mesmo estando pendurada
Eu era a jóia de uma obra de arte

Dou-lhe uma... Dou-lhe duas... Dou-lhe três!

Tudo ia mais ou menos bem até que um desalmado sem vintém
Numa festa a fantasia, roubou tudo o que podia, não deixou passar ninguém
A pulseira da condessa, a tiara da rainha e, de quebra, me levou também
Fugiu para o brasil e a história então aqui vira novela
Uma nova rica arrematou-me por uma bagatela

Passa o tempo, anos 30, eu no rio, estava já de volta à alta roda
Vestidos querendo casar comigo no embalo dos umbigos de carmen e aurora
Confesso que já estava acostumada a ser um adereço de carnaval
Quando a falência abocanhou minha senhora que mandou-me à penhora
Na caixa econômica federal

Dou-lhe uma... Dou-lhe duas... Dou-lhe três!

Dentro da caixa que era um prédio, a rotina era um tédio, não acontecia nada
Jóias e mais jóias deprimidas, jogando paciência, vendo fitas alugadas
Uma pérola no ostracismo, é só um eufemismo pra lustrar a minha vida
Feito uma qualquer, bijuteria, juro que não merecia,
Mas na bacia das almas seria certamente oferecida

Até que vi um filme um belo dia e nele aparecia uma pedra se passando por moi
Na orelha da scarlett johannson, quem diria? Quero um lenço, quero um lenço pra chorar
Estava aos prantos quando um bracelete grosso, um exagero mal gosto, resolveu tripudiar
Me disse que era pra ficar calada pois chegara a minha hora
O leilão já ia começar

Eu não valho mais nenhum tostão
Quem me compraria num leilão
Minha mãe foi uma ostra e o meu pai um pobre cisco, então
Vamos acabar logo com isso!
Dou-lhe uma... Dou-lhe duas... Dou-lhe três!

La Perla del Aro de la Chica

Dou-lhe una... Dou-lhe dos... Dou-lhe tres!

Posé para un holandés que me pintó una vez, lanzándome al anzuelo
Pero solo dos siglos después fui evaluada por los ojos de la cara
Yo, una perla distinguida, impactada por la pintura que cubría la alta sociedad
Hermosa, asediada, admirada, incluso estando colgada
Yo era la joya de una obra de arte

Dou-lhe una... Dou-lhe dos... Dou-lhe tres!

Todo iba más o menos bien hasta que un desalmado sin un centavo
En una fiesta de disfraces, robó todo lo que pudo, no dejó pasar a nadie
La pulsera de la condesa, la tiara de la reina y, de paso, también me llevó
Huyó a Brasil y la historia entonces se convirtió en una telenovela
Una nueva rica me adquirió por una ganga

Pasa el tiempo, años 30, yo en Río, ya estaba de vuelta en la alta sociedad
Vestidos queriendo casarse conmigo al ritmo de los ombligos de Carmen y Aurora
Confieso que ya estaba acostumbrada a ser un adorno de carnaval
Cuando la bancarrota se llevó a mi señora que me mandó a la subasta
En la caja de ahorros federal

Dou-lhe una... Dou-lhe dos... Dou-lhe tres!

Dentro de la caja que era un edificio, la rutina era un aburrimiento, no pasaba nada
Joyas y más joyas deprimidas, jugando paciencia, viendo películas alquiladas
Una perla en el ostracismo, es solo un eufemismo para iluminar mi vida
Como cualquier cosa, bisutería, juro que no lo merecía
Pero en la subasta de las almas seguramente sería ofrecida

Hasta que vi una película un hermoso día y en ella aparecía una piedra haciéndose pasar por mí
En la oreja de Scarlett Johansson, quién lo diría? Quiero un pañuelo, quiero un pañuelo para llorar
Estaba llorando cuando un brazalete grueso, un exceso de mal gusto, decidió burlarse
Me dijo que me quedara callada porque había llegado mi hora
La subasta estaba a punto de comenzar

Ya no valgo ni un centavo
¿Quién me compraría en una subasta?
Mi madre fue una ostra y mi padre un pobre grano de arena, entonces
¡Vamos a terminar con esto de una vez!
Dou-lhe una... Dou-lhe dos... Dou-lhe tres!

Escrita por: Daniel Galli