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Mato Verde

Rico Ayade

Mato Verde

Lá no mato verde
Corre lá, vai ver
Tem uma poça d’água
Tem uma moça que
Coara a sua roupa
Lava sua mágoa
Molha os seus pés
Com a lágrima do zóio seu

Toda água existe pra tentar matar a sede
Todo peixe preso luta pra fugir da rede
Toda dor tem cura
Todo amor enlaça
Toda vida é eterna
E, no entanto tudo passa

Sempre que me lembro da vida no meu sertão
A lua nascendo, clareando a escuridão
Olho para o alto
Me dói a saudade
Eu não sou daqui
Sou filho da eternidade

Mato Verde

Allá en el monte verde
Corre allá, verás
Hay un charco de agua
Hay una chica que
Exprime su ropa
Lava su tristeza
Moja sus pies
Con la lágrima de su ojo

Toda agua existe para intentar calmar la sed
Todo pez atrapado lucha por escapar de la red
Toda herida tiene cura
Todo amor abraza
Toda vida es eterna
Y, sin embargo, todo pasa

Siempre que recuerdo la vida en mi tierra
La luna naciendo, iluminando la oscuridad
Miro hacia arriba
Me duele la nostalgia
Yo no soy de aquí
Soy hijo de la eternidad

Escrita por: Rico Ayade