395px

Necesito dejar de rascarme

Robinson do Futuro

Eu Preciso Parar de Coçar

Os bafos quentes nos bueiros já escapavam na noite
Quando o exército maléfico emergia pro açoite
Das piscinas, banheiros, poças, pneus e mangues
Se alastrando em sua ávida procura por sangue

E pelos poros da cidade, suas janelas e frestas
Infestaram os lares portando as suas moléstias
E seus bicos agulhentos, sanguinários e potentes
Sorveram nossos plasmas indiscriminadamente

Mesmo à noite, ainda assim o calor me devora
Por isso ao me cobrir deixo minhas pernas pra fora
Pra que o sono seja plácido e os suores amenos
O mosquito maldito não esperava por menos

Ergueu seu voo bizarro na escuridão fervilhante
Pra seus mil olhos terríveis, pouca luz era abundante
Orientou seu voo caótico a meu pé descoberto
Enquanto eu dormia profundamente boquiaberto

Na manhã seguinte não me demorei a notar
Quando a chanha pestilenta começou a coçar
E eu cocei, cocei demais até não poder mais
Mas em nada aplacou aquela coceira voraz

Eu preciso parar de coçar a minha picadura

Então fui me apercebendo, e me causou estranheza
Que no lugar da picadura havia certa aspereza
E a derme, antes macia, agora estava endurecida
Protuperturbadamente quente doente e escurecida

E enquanto aquele tom de cinza escuro aumentava
A coceira insuportável na minha pele piorava
E animada por irreprimível força interna
A minha mão ia coçando pé, dedos, calcanhar e perna

Pensamentos, sentimentos, tudo o que há em mim se entrega
Pra essa tentação horrenda de manter o esfrega-esfrega
E seu prazer doentio inundou minhas veias
Enquanto a ferida aberta ficava cada vez mais feia

Distraído na sanha hedônica de minha coceira
Não me dei conta do avanço da pústula carniceira
Quando olhei minhas pernas tinham aspecto esquisito
Eu percebi que estava me transformando em um mosquito

Eu preciso parar de coçar a minha picadura

E um medo desvairado me emergiu das entranhas
Ao me deparar com aquelas pernas pra lá de estranhas
Corri desesperadamente pra me olhar no espelho
E enxerguei duas longas pernas cada com três joelhos

A coceira mais intensa do que nunca se alçava
A meu torso e meu corpo já inteiro coçava
Minhas mãos frenéticas iam para trás e para frente
Roçando no meu couro cada vez mais rígido e quente

Entumecido e enlouquecido de uma paixão delirante
Eu fui sendo tomado por um calor sufocante
E minha boca seca, cada vez mais sedenta
Foi cedendo a uma vontade contumaz e virulenta

Enquanto isso uma figura monstruosa me olhava
Do outro lado do quarto apavorada e com raiva
E outras mil surgiram, todas iguais a ela
Eu aflito e agônico me joguei da janela

Eu preciso sair pra caçar
Pelas ruas pelas ruas
Para me alimentar

Necesito dejar de rascarme

Los vapores calientes de las alcantarillas escapaban en la noche
Cuando el ejército maléfico emergía para castigar
De las piscinas, baños, charcos, neumáticos y pantanos
Extendiendo su ávida búsqueda de sangre

Y a través de los poros de la ciudad, sus ventanas y grietas
Infestaron los hogares llevando sus enfermedades
Y sus picos agudos, sanguinarios y potentes
Chuparon nuestros plasmas indiscriminadamente

Incluso de noche, el calor aún me devora
Por eso al cubrirme dejo mis piernas afuera
Para que el sueño sea tranquilo y los sudores suaves
El maldito mosquito no esperaba menos

Elevó su vuelo extraño en la oscuridad bulliciosa
Para sus mil ojos terribles, poca luz era suficiente
Dirigió su vuelo caótico a mi pie descubierto
Mientras dormía profundamente boquiabierto

A la mañana siguiente no tardé en darme cuenta
Cuando la picazón pestilente comenzó a rascarme
Y me rascaba, rascaba demasiado hasta no poder más
Pero nada calmaba esa picazón voraz

Necesito dejar de rascarme mi picadura

Entonces me di cuenta, y me causó extrañeza
Que en lugar de la picadura había cierta aspereza
Y la piel, antes suave, ahora estaba endurecida
Protuberantemente caliente, enferma y oscurecida

Y mientras ese tono de gris oscuro aumentaba
La insoportable picazón en mi piel empeoraba
Y animada por una fuerza interna incontrolable
Mi mano iba rascando pie, dedos, talón y pierna

Pensamientos, sentimientos, todo en mí se entrega
A esta horrenda tentación de rascarse
Y su placer enfermizo inundó mis venas
Mientras la herida abierta se volvía cada vez más fea

Distraído en la lujuria hedonista de mi picazón
No me di cuenta del avance de la pústula carnívora
Cuando miré mis piernas tenían un aspecto extraño
Me di cuenta de que me estaba convirtiendo en un mosquito

Necesito dejar de rascarme mi picadura

Un miedo desenfrenado emergió de mis entrañas
Al ver esas piernas tan extrañas
Corrí desesperadamente a mirarme en el espejo
Y vi dos largas piernas, cada una con tres rodillas

La picazón se intensificaba más que nunca
Mi torso y mi cuerpo entero picaban
Mis manos frenéticas iban de atrás hacia adelante
Rascando mi piel cada vez más rígida y caliente

Entumecido y enloquecido por una pasión delirante
Fui tomado por un calor sofocante
Y mi boca seca, cada vez más sedienta
Cedió a un deseo contumaz y virulento

Mientras tanto una figura monstruosa me miraba
Desde el otro lado de la habitación, aterrorizada y enojada
Y otras mil surgieron, todas iguales a ella
Yo, afligido y agónico, me lancé por la ventana

Necesito salir a cazar
Por las calles, por las calles
Para alimentarme

Escrita por: Robinson do Futuro