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Desfigurado

Rodrigo Magalhaes

Desfigurado

Desculpa tô aqui, mas eu nem sei o que falar
E mesmo ensaiando não sei como começar
Nem posso distinguir o que é fútil e o que desejas escutar
Fazendo um panorama do meu trama até aqui
Não há uma relevância que te faça insistir
Que o meu psiquismo traz a legitimidade do existir

Sou um emaranhado de vazios transbordantes

O espelho está drenando toda a força vital
Desfigurado traços, rasurando o manual
Que estava, até então, configurando e me ensinando a ser normal
E mesmo sendo tanto sinto-me insuficiente
Quase nada na multitarefa da minha mente
Eu sou um monte de coisa, mas nenhuma me traduz corretamente

Sou um emaranhado de vazios

Anestesiado no dever, me pergunto desde bebê
Quem habita no verbo do meu ser?
Então diante de você, há um vazio em degradê
Procurando camas pra se preencher

Um forasteiro num buraco negro em expansão
Está subvertendo o espaço-tempo dos meus vãos
E agora já nem sei o que eu sou e o que é só projeção
Me sinto esvaindo de mim mesmo sem parar
E quanto mais me busco mais me pego a duvidar
Que quanto mais perdido mais eu tenho a chance de me encontrar

Sou um emaranhado de vazios

Sou um cosmo vazio, sem nenhuma estrela a te guiar
Sou um deserto vazio, sem nenhum oásis pra te dar
Sou um abismo vazio, sem nenhuma corda pra puxar
Sou um atlântico vazio, sem nenhuma joia pra achar

Sou um sujeito vazio, sem nenhuma ideia pra explorar
Sou um trajeto vazio, sem nenhuma rota pra voltar
Sou um desvario vazio, sem nenhuma história pra contar
Um vazio vazio, sem porquês ou quês pra encontrar

Anestesiado no dever, me pergunto desde bebê
Quem habita no verbo do meu ser?
Então diante de você, há um vazio em degradê
Procurando camas pra se preencher

Desculpa tô aqui, mas eu nem sei o que falar
E quanto mais me busco, mais me pego a duvidar
Que quanto mais perdido, mais eu tenho a chance de me encontrar

Desfigurado

Disculpa, estoy aquí, pero ni sé qué decir
Y aunque ensaye, no sé cómo empezar
No puedo distinguir lo que es trivial y lo que quieres escuchar
Haciendo un panorama de mi trama hasta aquí
No hay una relevancia que te haga insistir
Que mi psiquis trae la legitimidad de existir

Soy un enredo de vacíos desbordantes

El espejo está drenando toda la fuerza vital
Desfigurado, rasgos, borrando el manual
Que hasta entonces, me estaba configurando y enseñando a ser normal
Y aunque sea tanto, me siento insuficiente
Casi nada en la multitarea de mi mente
Soy un montón de cosas, pero ninguna me traduce correctamente

Soy un enredo de vacíos

Anestesiado en el deber, me pregunto desde bebé
¿Quién habita en el verbo de mi ser?
Entonces, frente a ti, hay un vacío en degradé
Buscando camas para llenarse

Un forastero en un agujero negro en expansión
Está subvirtiendo el espacio-tiempo de mis vacíos
Y ahora ya ni sé qué soy y qué es solo proyección
Me siento desvaneciendo de mí mismo sin parar
Y cuanto más me busco, más empiezo a dudar
Que cuanto más perdido, más tengo la oportunidad de encontrarme

Soy un enredo de vacíos

Soy un cosmos vacío, sin ninguna estrella que te guíe
Soy un desierto vacío, sin ningún oasis para darte
Soy un abismo vacío, sin ninguna cuerda para jalar
Soy un atlántico vacío, sin ninguna joya para hallar

Soy un sujeto vacío, sin ninguna idea para explorar
Soy un trayecto vacío, sin ninguna ruta para volver
Soy un delirio vacío, sin ninguna historia que contar
Un vacío vacío, sin porqués o qués para encontrar

Anestesiado en el deber, me pregunto desde bebé
¿Quién habita en el verbo de mi ser?
Entonces, frente a ti, hay un vacío en degradé
Buscando camas para llenarse

Disculpa, estoy aquí, pero ni sé qué decir
Y cuanto más me busco, más empiezo a dudar
Que cuanto más perdido, más tengo la oportunidad de encontrarme

Escrita por: Rodrigo Magalhães