395px

Paulistano

Rodrigo Mendonça

Paulistano

Caneta no papel mente flutua
penso no melhor jeito de descrever a rua...
dinheiro, mulher, role, fita
"os cara chama": - não dá nada essa foi dada é sem chance de cana
crime perfeito sempre foi teoria "cumpadi"
pois o final é funeral ou grade
você tem medo mas a noite invade
e as conversas sobre lealdade estende
quem é de verdade "os maloca" sempre sabe entende?
eu sinto mó respeito
cristão "p'ros irmão" ta dentro do peito
não sou do corre mais mas não descrimino
não te subestimo e nem te rejeito
"-vishe! us homi passa" nem sei qual a situação
se enquadrar me perguntar:- eu nada sei mestrão!
" se pá os tiro que eu ouvi acertou
se pá mais um já se foi sem boi se moscou!"
"-maluco a chance é pouca só se fala em fita boa, pra quê viver tensão ladrão se a vida é louca
viver sem grana enjoa eu não nasci a toa eu quero meu lugar na terra da garoa!"
mas a índole que comigo nasceu, me diz que eu só tenho direito ao que é meu
extinto é um barato que não dá pra entender
eu morro sem dinheiro, mas minha mãe não vai sofrer
pelo dinheiro " muitos traiu até deus"
se envolver com o crime, aí adeus
"a vida as vez leva nóis ao buraco
eu posso ir mais fundo se eu for um cara fraco
eu sei o quanto dói criar um filho na favela
não "guenta" vê tv vê os boy na novela
futebol, mulata, carnaval o ano inteiro
Se isso for cultura eu não sou brasileiro

Paulistano

Pluma en papel la mente flota
pienso en la mejor forma de describir la calle...
dinero, mujer, rol, cinta
'los chicos dicen': - no pasa nada, eso fue regalado, no hay posibilidad de arresto
el crimen perfecto siempre fue teoría 'compadre'
pues el final es funeral o rejas
tienes miedo pero la noche invade
y las conversaciones sobre lealtad se extienden
¿quién es de verdad? 'los chicos malos' siempre saben, ¿entiendes?
siento mucho respeto
cristiano 'para los hermanos' está dentro del corazón
no soy del barrio pero no discrimino
no te subestimo ni te rechazo
'-¡vaya! los policías pasan' ni siquiera sé cuál es la situación
si me preguntan: - ¡no sé nada, maestro!
'si acaso los disparos que escuché acertaron
si acaso uno más ya se fue sin problemas si se equivocó!'
'-loco, la oportunidad es escasa, solo se habla de buenas historias, ¿para qué vivir tenso, ladrón, si la vida es loca?
vivir sin dinero cansa, no nací en vano, quiero mi lugar en la tierra de la garúa!'
pero la integridad que nació conmigo me dice que solo tengo derecho a lo mío
el instinto es algo que no se puede entender
moriré sin dinero, pero mi madre no sufrirá
por dinero 'muchos traicionaron incluso a dios'
involucrarse en el crimen, ahí adiós
'la vida a veces nos lleva al agujero
puedo ir más profundo si soy débil
sé lo doloroso que es criar un hijo en la favela
no soporta ver tv, ver a los chicos en la novela
fútbol, mulata, carnaval todo el año
si eso es cultura, no soy brasileño

Escrita por: Rodrigo Mendonça