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El Pedido del Caipirinha

Rolando Boldrin

O Pedido do Caipirinha

Papai Noé!
Os menino me contaro
Lá na escola donde eu vô
Que o sinhô atende os pedido
Dos rico, dos pobre, oprimido
Mandado por Nosso Sinhô

Me contaro inté
Que é só ponhá capim embaixo da cama
E drumi pra esperá, mas, Papai Noé
Pra começá nem cama eu tenho pra mim drumi
Eu tenho uma estêra véia
Arremendada que dá pena inté de oiá

Brinquedo então? Nem é bão falá
Trem de ferro, aeroplaninho
Sordadinho, eu só conheço de nome
Só de ouvi as outra criança comentá

Que vale que o pai falô
Que a inveja não tem valô
Pra um cabôco lutadô
Mas eu te juro, Papai Noé
Quando eu escuito uma criança do meu bairro comentá
Eu sinto que o micróbio da inveja
Começa logo a me atacá

Oi Papai Noé
Pro sinhô eu não tenho segredo
Inté hoje eu só tive dois brinquedo
Premêro tive um potranco
Que era tudinho branco
E bonito como quê
Mas dispois os negócio apiorô
E o pai teve que vendê

Despois me dêro o Pinhão
Esse cachorrinho bão
Que me ajuda a diverti nas águas do ribeirão
Nadando daqui pra li

Ah! O sinhô precisava vê, Papai Noé
Quando eu dô um merguião custando pra aparecê
Não há de vê que o danado do vira-lata
Garra lati, lati desesperado pensando que eu vô morrê

Mas oi, Papai Noé
Já que nóis tamo proseando
Já que a gente tá conversando
O meu pedido eu vô fazê

Faz a minha mãe alevantá
Faz dois ano que ela não sabe o que é Natá
Faz dois ano que a coitada passo a tossi, tossi
Num esforço danado lá na cama pra podê arresisti

Se o sinhô me atendê
Eu podia inté lhe entregá
O meu único amigo bão
O meu cachorrinho Pinhão
Que eu custei tanto a ganhá

Mas o sinhô pode ficá com ele
Ou então fazê presente
Pra outra criança que o sinhô quizé dá
Eu te prometo ficá contente
Memo com vontade chorá

Mas oia, Papai Noé
Não esqueça o meu pedido
Quando chegá o Natá
Por favô, faz minha mãezinha sará

El Pedido del Caipirinha

Papá Noé!
Los chicos me contaron
En la escuela a la que voy
Que el señor atiende los pedidos
De ricos, pobres, oprimidos
Enviados por Nuestro Señor

Me contaron incluso
Que solo hay que poner pasto debajo de la cama
Y dormir para esperar, pero, Papá Noé
Para empezar ni cama tengo para dormir
Tengo una estera vieja
Remendada que da pena incluso de mirar

¿Juguetes entonces? Ni siquiera es bueno hablar
Tren de hierro, avioncito
Soldaditos, solo conozco de nombre
Solo de escuchar a los otros niños comentar

Que vale lo que dijo el padre
Que la envidia no tiene valor
Para un hombre luchador
Pero te juro, Papá Noé
Cuando escucho a un niño de mi barrio comentar
Siento que el microbio de la envidia
Comienza pronto a atacarme

Oh Papá Noé
Para ti no tengo secretos
Hasta hoy solo tuve dos juguetes
Primero tuve un potrillo
Que era completamente blanco
Y bonito como qué
Pero luego las cosas empeoraron
Y mi padre tuvo que venderlo

Después me dieron a Pinhão
Ese perrito bueno
Que me ayuda a divertirme en las aguas del arroyo
Nadando de aquí para allá

¡Ah! Deberías verlo, Papá Noé
Cuando doy un salto costando aparecer
No falta que el maldito mestizo
Empieza a ladrar desesperado pensando que voy a morir

Pero oye, Papá Noé
Ya que estamos conversando
Ya que estamos hablando
Mi pedido voy a hacer

Haz que mi madre se levante
Hace dos años que no sabe qué es Navidad
Hace dos años que la pobre tose, tose
Haciendo un esfuerzo tremendo en la cama para resistir

Si me atiendes
Podría incluso entregarte
A mi único buen amigo
A mi perrito Pinhão
Que tanto costó ganar

Pero puedes quedarte con él
O hacer un regalo
A otro niño que quieras darle
Te prometo estar contento
Aunque con ganas de llorar

Pero mira, Papá Noé
No olvides mi pedido
Cuando llegue la Navidad
Por favor, haz que mi mamita sane

Escrita por: Lulu Benencase