Baião Metropolitano
Me olhei no espelho
Descobri que eu era feio
Depois de comer paçoca
Eu vi que eu era patriota
No país da manivela
Girado pela favela
De tanto bater panela
E de só comer mandioca
Eu vou ter que ler meus livros
Pra não ficar de castigo
Pois o que não faz sentido
É o que eles chamam de ensino
Mas eu vou ter que levar
Até eu me formar
Porque sem um canudo
Dizem que eu não chego lá
Eu não sei o que pensar
É um bando de palhaço
Mas eu já tô no circo
Eu vou ver se eu não embaço
Eu até queria tirar
Todo esse amargo do meu peito
Mas eu não posso chorar
Ou vou deixar de ser perfeito
Vou amarrar uma fita crepe
Bem no canto do meu rosto
Assim nunca vou chorar
E nem vou ter nenhum desgosto
Apareceu uma papelada na minha mesa
Já logo eu que não mais quero trabalhar
Amanheci nessa cidade cinza
Só faz cinco dias, já quero voltar
E logo cedo já começa a fumaceira
Que sai das bocas e das chaminés
E esses pássaro de ferro que não cansa
De passar em cima de mim e fazer sombra no meu pé
Fui vomitado para fora do vagão
Saí gritando: Pega minha mão!
E tavam todos com o rosto iluminado
Mini aparelho de televisão
Me olhei no espelho
Descobri que eu era feia
Depois de comer paçoca
Eu vi que eu era patriota
No país da manivela
Girado pela favela
De tanto bater panela
E de só comer mandioca
Baião Metropolitano
Me miré en el espejo
Descubrí que era feo
Después de comer paçoca
Vi que era patriota
En el país de la manivela
Girado por la favela
De tanto golpear la cacerola
Y solo comer mandioca
Tendré que leer mis libros
Para no quedarme castigado
Porque lo que no tiene sentido
Es lo que llaman enseñanza
Pero tendré que aguantar
Hasta graduarme
Porque sin un título
Dicen que no llegaré
No sé qué pensar
Es un montón de payasos
Pero ya estoy en el circo
Voy a ver si no me emborracho
Incluso querría sacar
Todo ese amargor de mi pecho
Pero no puedo llorar
O dejaré de ser perfecto
Ataré una cinta adhesiva
En la esquina de mi rostro
Así nunca lloraré
Y no tendré ninguna pena
Apareció un montón de papeles en mi escritorio
Justo cuando ya no quiero trabajar más
Amanecí en esta ciudad gris
Apenas han pasado cinco días, ya quiero regresar
Y temprano comienza el humo
Que sale de las bocas y chimeneas
Y esos pájaros de hierro que no se cansan
De pasar sobre mí y hacer sombra en mis pies
Fui expulsado del vagón
Gritando: ¡Agarra mi mano!
Y todos tenían el rostro iluminado
Con mini televisores
Me miré en el espejo
Descubrí que era fea
Después de comer paçoca
Vi que era patriota
En el país de la manivela
Girado por la favela
De tanto golpear la cacerola
Y solo comer mandioca