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Viertel des Ostens

Rui Veloso

Bairro Do Oriente

Tenho à janela
Uma velha cornucópia
Cheia de alfazema
E orquídeas da etiópia

Tenho um transistor ao pé da cama
Com sons de harpas e oboés
E cantigas de outras terras
Que percorri de lés-a-lés

Tenho uma lamparina
Que trouxe das arábias
Para te amar à luz do azeite
Num kama-sutra de noites sábias

Tenho junto ao psyché
Um grande cachimbo d'água
Que sentados no canapé
Fumamos ao cair da mágoa

Tenho um astrolábio
Que me deram beduínos
Para medir no firmamento
Os teus olhos astralinos

Vem vem à minha casa
Rebolar na cama e no jardim
Acender a ignomínia
E a má língua do código pasquim
Que nos condena numa alínea
A ter sexo de querubim

Viertel des Ostens

Ich habe am Fenster
Eine alte Hornblume
Voll mit Lavendel
Und Orchideen aus Äthiopien

Ich habe einen Transistor neben dem Bett
Mit Klängen von Harfen und Oboen
Und Lieder aus fernen Ländern
Die ich von Küste zu Küste bereiste

Ich habe eine Öllampe
Die ich aus Arabien mitbrachte
Um dich im Licht des Öls zu lieben
In einem Kama-Sutra weiser Nächte

Ich habe neben dem Psyché
Eine große Wasserpfeife
Die wir sitzend auf dem Sofa
Rauchen, wenn der Kummer fällt

Ich habe ein Astrolabium
Das mir Beduinen gaben
Um am Firmament zu messen
Deine astralen Augen

Komm, komm zu mir nach Hause
Um im Bett und im Garten zu wühlen
Die Schande zu entfachen
Und die böse Zunge des Pasquim-Codes
Die uns in einem Paragraphen verurteilt
Zu Engel-Sex.

Escrita por: Carlos Tê / Rui Veloso