Malmequer
Dizem que as mulheres
Se querem prendadas
Frágeis e discretas
Meio enviezadas
De falas indirectas
Quase imaculadas
Ágeis e arrumadas
De peito bem feito
Sensatas coradas
Mexidas no leito
Com luzes apagadas
Perto do perfeito
Conto de fadas
Desfolhe o malmequer
Você quer a mulher
Que não faça nada
Do que lhe disser
Você teme a mulher
Que fuma português suave
Bebe água lisa
Só ao sair da cave
E quando está na sua
Anula a gazua
E deita fora a chave
Porque você é
Um português suave
Gosta de quem nega
De quem só se entrega
Ao fim de muito entrave
E depois o relega
Para o porão da cave
(Refrão)
Dizem que as mulheres
Se querem fogosas
Cheias de ciladas
Loucas e picantes
Mas nunca como esposas
Sempre como amantes
Você devia querê-las
Só inquietantes
Sem poder prevê-las
Porque você é
Um português suave
Se forem iguais a si
É um caso muito grave
Desfolhe o malmequer
Você quer a mulher que lhe faça aquilo
Que você nem sonha querer
Malmequer
Dicen que las mujeres
Quieren ser hábiles
Frágiles y discretas
Un poco torcidas
Con discursos indirectos
Casi inmaculadas
Ágiles y arregladas
Con un buen busto
Sensatas sonrojadas
Revueltas en la cama
Con las luces apagadas
Cerca de la perfección
Cuento de hadas
Deshoja la margarita
Quieres a la mujer
Que no haga nada
De lo que le digas
Temes a la mujer
Que fuma tabaco suave
Bebe agua sin gas
Solo al salir del sótano
Y cuando está contigo
Anula la ganzúa
Y tira la llave
Porque tú eres
Un portugués suave
Te gusta quien se niega
Quien solo se entrega
Después de mucho obstáculo
Y luego lo relega
Al sótano del sótano
(Coro)
Dicen que las mujeres
Quieren ser apasionadas
Llenas de trampas
Locas y picantes
Pero nunca como esposas
Siempre como amantes
Deberías desearlas
Solo inquietantes
Sin poder preverlas
Porque tú eres
Un portugués suave
Si son como tú
Es un caso muy grave
Deshoja la margarita
Quieres a la mujer que te haga aquello
Que ni siquiera sueñas desear
Escrita por: Carlos Tê / Rui Veloso