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Tía Mocinha

Ruy Maurity

Tia Mocinha

1977

Eu te lembro, Mocinha, sob a luz da quitanda,
E lá fora o luar
Teu vestido cheirava loção e relíquias
Da idade da pedra, da carne e do sal
Eu te lembro, menina, teu retrato amarelo,
Quão belo, só belo, à luz do luar

Teu retrato amarelo, quão belo,
Só belo, à luz do luar.

Eu te lembro, pitanga, os tecidos, os legumes,
Bibelôs de papel
Teus cabelos de lãs eu abraço, agasalho,
Teu alho, cebola, teus doces de mel

Eu te lembro pensando que o rapaz do balcão
Fosse o moço encantado do carramanchão
Que o rapaz do balcão fosse o moço encantado
Do carramanchão.

Tía Mocinha

1977

Te recuerdo, Mocinha, bajo la luz de la tienda,
Y afuera la luna
Tu vestido olía a loción y reliquias
De la Edad de Piedra, de la carne y la sal
Te recuerdo, niña, tu retrato amarillo,
Qué hermoso, solo hermoso, a la luz de la luna

Tu retrato amarillo, qué hermoso,
Solo hermoso, a la luz de la luna.

Te recuerdo, pitanga, las telas, las verduras,
Baratijas de papel
Tus cabellos de lana abrazo, abrigo,
Tu ajo, cebolla, tus dulces de miel

Te recuerdo pensando que el chico del mostrador
Era el joven encantado del enramado
Que el chico del mostrador era el joven encantado
Del enramado.

Escrita por: José Jorge / Ruy Maurity