Meia Noite
Quanto tempo você leva pra conseguir entender
Que quando você fala de amor
Eu só to querendo viver
As ruas e as calçadas
Já sentem saudade do sangue das nossas transcestrais
Irmãs (na maioria pretas) que quebraram as cangas da sociedade
Pra hoje eu poder pensar em amar
Xica Manicongo
A minha espinha eu vou levantar
Faço um rezo pra ti
Pra tentar me localizar
Quanto mais eu me esforço pra pensar em afeto
Mais distante eu o vejo e mais remorso eu desperto
Não tem carinho, não tem afago
E antes disso não tem comida, não tem saúde
Arrancaram as nossas almas e as ofereceram
Num banquete para o ódio onde só os porcos comem
Das sobras renasceram as maiores guerreiras
Que portam no peito o ouro da mãe da cachoeira
Os nossos afetos são os próprios, quando isso não nos é retirado
Os nossos afetos são hackeados
Te dizem e te ensinam sobre sentimentos frustrados
Corpos bonitos, corpos rastreados
E
Implantam nos corações que nos batem e que nos matam
A mesma semente e o mesmo adubo envenenado
Hoje você ama alguém
Mas se você é trans
Amanhã
Você não será amado
Medianoche
Quanto tiempo te toma entender
Que cuando hablas de amor
Solo quiero vivir
Las calles y las aceras
Ya extrañan la sangre de nuestras transcestrales
Hermanas (en su mayoría negras) que rompieron las cadenas de la sociedad
Para que hoy pueda pensar en amar
Xica Manicongo
Voy a enderezar mi espina dorsal
Rezo por ti
Para intentar ubicarme
Mientras más me esfuerzo por pensar en afecto
Más lejos lo veo y más remordimiento despierto
No hay cariño, no hay mimos
Y antes de eso no hay comida, no hay salud
Arrancaron nuestras almas y las ofrecieron
En un banquete para el odio donde solo los cerdos comen
De los restos renacieron las más grandes guerreras
Que llevan en el pecho el oro de la madre de la cascada
Nuestros afectos son propios, cuando no nos son arrebatados
Nuestros afectos son hackeados
Te dicen y te enseñan sobre sentimientos frustrados
Cuerpos bonitos, cuerpos rastreados
E
Implantan en los corazones que laten y que matan
La misma semilla y el mismo abono envenenado
Hoy amas a alguien
Pero si eres trans
Mañana
No serás amado
Escrita por: Sá Biá / Samuel Pretto