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Seca Saí

Sá Biá

Seca Saí

Seca, saí pela rua
Aproveitar os poucos segundos que me deram
Neste mês saí pouco mais
Do que as curvas do medo e da culpa me permitiram

Seca, voltei
Voltei para casa desmiolada
Como catraia de altíssimo calão
Vestindo apenas a presença da falta

Por que quando saí de casa
Eu ainda carregava os escombros do mundo que deixei
Em março
Antes suspenso agora sepultado
Pobre mundo, pobre mundo

Quando mais o povo se cala mais
O povo sofre e implode violentamente
Para dentro de si e fica vagando no próprio eco

Perdidos nas montanhas de silêncio
Desenterram ossos ancestrais para montar seus amuletos
No jogo de osso, bebem a cana de espera
Não me assustei, não me assustei
Vai melhorar

Dinheiro não entra
Muitas vezes só sai
Agora vai melhorar

Seca Saí

Seca, salgo por la calle
Aprovechando los pocos segundos que me dieron
Este mes salí un poco más
De lo que las curvas del miedo y la culpa me permitieron

Seca, regresé
Regresé a casa desorientada
Como una mujer de alta alcurnia
Vistiendo solo la ausencia

Porque cuando salí de casa
Aún cargaba los escombros del mundo que dejé
En marzo
Antes suspendidos, ahora sepultados
Pobre mundo, pobre mundo

Cuanto más calla la gente
Más sufre y explota violentamente
Hacia adentro y queda vagando en su propio eco

Perdidos en las montañas de silencio
Desentierran huesos ancestrales para armar sus amuletos
En el juego de hueso, beben la caña de la espera
No me asusté, no me asusté
Va a mejorar

El dinero no entra
Muchas veces solo sale
Ahora va a mejorar

Escrita por: Sá Biá / Samuel de Moraes Pretto (Sa)