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Confines

Sagaranna

Confins

Meu corpo vem da raiz
Por onde o som vem e emana
Sou solo fértil, aprendiz
Sou safra farta da cana
Sou sobrado e a choupana,
Pros casarões sou engenho
Pois te digo de onde venho
Posso bem lhe convencer
Meu corpo vem da raiz
Lá dos confins de você

Traçando em ponta de giz
Pétala, flor, qual retalho
Que abranda folhas febris
Vestida a gotas de orvalho
O teu fruto em tronco talho
Detalhando o teu desenho
Traço um traço em traço cenho
Quando tento te tecer
Meu corpo vem da raiz
Lá dos confins de você

A tua sombra refiz
Fertilizando, somente.
Nasceu tal qual flor de lis
Embora o sol muito quente
Nunca mais foste semente
Te tornaste um baobá
E eu corri pra te olhar
Tu correste pra me ver
Meu corpo vem da raiz
Lá dos confins de você

Confines

Mi cuerpo viene de la raíz
De donde el sonido viene y emana
Soy suelo fértil, aprendiz
Soy cosecha abundante de caña
Soy casa grande y la choza,
Para las mansiones soy ingenio
Porque te digo de dónde vengo
Puedo convencerte bien
Mi cuerpo viene de la raíz
Desde los confines de ti

Dibujando con punta de tiza
Pétalo, flor, como retazo
Que suaviza hojas febriles
Vestida de gotas de rocío
Tu fruto en tronco tallado
Detallando tu dibujo
Trato de tejer un trazo en ceño
Cuando intento construirte
Mi cuerpo viene de la raíz
Desde los confines de ti

Rehice tu sombra
Fertilizando, solamente.
Naciste como flor de lis
A pesar de que el sol es muy caliente
Nunca más fuiste semilla
Te convertiste en un baobab
Y corrí para mirarte
Tú corriste para verme
Mi cuerpo viene de la raíz
Desde los confines de ti

Escrita por: Ju Valença / Martins