395px

Mangueira 2026 - Danilo Firmino

Samba Concorrente

Mangueira 2026 - Danilo Firmino

Mangueira tucuju êêê marabaxeira
Canta o uirapuru com o surdo de primeira
Quando piso em folhas secas
Ouço a voz do seu tambor
Sou mestre sacaca, xamã babalaô

Noite, oh mística noite
A Lua sonha e dança
Entre visões na pajelança arriei nessa aldeia
Tem árvore doce e matiz

Amazônia negra, no caule de sua raiz

Mangueira, seiva viva nessa terra
Encerra às margens que a história silenciou
Mangueira, ramifico em teus galhos
Pelas gotas de orvalho perfumadas como a flor
A correnteza me guia
São milagres da maré, primazia!
O invisível se manifesta na magia da floresta
Deixa nego véio trabaiá

Caroço de jaca queimada, pó com azeite de mamona
Cura umbigo de criança, cura umbigo de criança
Pra gripe, mel de abelha, casca de jutaí
Folha de sacaca, erva-de-jabuti

A madeira se liberta, o estrondo tinge o vento
Entre farpas, fundamento
O calor afina o couro
Tambores do mesmo nascedouro
Então, me dissolvo em argila volto ao chão
Viro semente
Meus lábios de açaí a cantar
Rugido de onça, é reza do meu Amapá

Mangueira 2026 - Danilo Firmino

Mangueira tucuju êêê marabaxeira
Canta el uirapuru con el surdo de primera
Cuando piso en hojas secas
Escucho la voz de su tambor
Soy maestro sacaca, chamán babalaô

Noche, oh mística noche
La Luna sueña y danza
Entre visiones en la pajelança llegué a esta aldea
Hay árbol dulce y matiz

Amazonía negra, en el tronco de su raíz

Mangueira, savia viva en esta tierra
Encierra las márgenes que la historia silenció
Mangueira, me ramifico en tus ramas
Por las gotas de rocío perfumadas como la flor
La corriente me guía
¡Son milagros de la marea, primacía!
Lo invisible se manifiesta en la magia del bosque
Deja que el viejo trabaje

Hueso de jaca quemada, polvo con aceite de ricino
Cura el ombligo de un niño, cura el ombligo de un niño
Para el resfriado, miel de abeja, corteza de jutaí
Hoja de sacaca, hierba-de-jabuti

La madera se libera, el estruendo tiñe el viento
Entre astillas, fundamento
El calor afina el cuero
Tambores del mismo origen
Entonces, me disuelvo en arcilla, vuelvo al suelo
Me convierto en semilla
Mis labios de açaí a cantar
Rugido de jaguar, es rezo de mi Amapá

Escrita por: Rafael Raçudo, Felipe Filosofo, Danilo Firmino, Bico Doce, Dr. Jairo