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Porto da Pedra 2025 - Vadinho y Cia

Samba Concorrente

Porto da Pedra 2025 - Vadinho e Cia

Sou Porto da Pedra de volta pra floresta
Felino ferido, destino vencedor
Minha tribo vem dizer
Pra quem acha que um dia nos venceu
A luta apenas começou

Vez em quando a ganancia se anuncia
Veste feito rainha pra seduzir brasileiro
De vez em sempre tem uns tontos que acredita
Que a cobiça é mais bonita
Que um riacho e um banzeiro
E veio gente de tudo que é lugar
Não se pode apagar o que a febre da borracha nos fez
Vomitaram a mesma ladainha
Que a Fordlândia traria
Ares de prosperidade
Buscavam almas, passaradas, utopias
Eram aves de rapina, outra vez era miragem

Sou Munduruku de Karusakaibê
A semente de urucum, sou mais um pra defender
Flecha derradeira de guerreiros paiksés
Pelas matas, sou madeira, e das águas, as marés

Olhos de fogo, labaredas e dragões de ferro
Maquinário sanguinário pelo vil metal
Ponteiros ensandecidos por dinheiro
Ferrugens, entranhas do mal
Mas gota de jurema, impuros não bebem
O ventre da mãe terra se impõe, eles somem
As chagas me sangram a pele
Não valem o prato que comem
E cercam de novo meu chão pra garimpo
Pressinto e já começo a salivar
O marco não marca meu povo, iremos lutar

Porto da Pedra 2025 - Vadinho y Cia

Soy Porto da Pedra de vuelta a la selva
Fiera herida, destino triunfador
Mi tribu viene a decir
A quienes creen que un día nos vencieron
La lucha apenas comenzó

De vez en cuando la codicia se asoma
Se viste como reina para seducir al brasileño
De vez en cuando hay unos tontos que creen
Que la avaricia es más bonita
Que un arroyo y un vaivén
Y vino gente de todos lados
No se puede borrar lo que la fiebre del caucho nos hizo
Vomitaron la misma cantaleta
Que Fordlândia traería
Aires de prosperidad
Buscaban almas, ilusiones, utopías
Eran aves de rapiña, otra vez era un espejismo

Soy Munduruku de Karusakaibê
La semilla de urucum, soy uno más para defender
Flecha definitiva de guerreros paiksés
Por las selvas, soy madera, y de las aguas, las mareas

Ojos de fuego, llamas y dragones de hierro
Maquinaria sanguinaria por el vil metal
Manecillas enloquecidas por dinero
Óxido, entrañas del mal
Pero gota de jurema, los impuros no beben
El vientre de la madre tierra se impone, ellos desaparecen
Las llagas me sangran la piel
No valen el plato que comen
Y cercan de nuevo mi suelo para la minería
Presiento y ya empiezo a salivar
El marco no marca a mi pueblo, iremos a luchar

Escrita por: Vadinho / Zé Alex / Marcão / Robinho Porto / Karina Porto / Claudinha Sing / Pedro Dentinho / Baiano / Bigode / Alexandre Borges