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Unidos da Tijuca 2026 - Totonho

Samba Concorrente

Unidos da Tijuca 2026 - Totonho

Vou abrir o meu diário para ler o inventário
Das mazelas mais febris
De sequela em sequela, da senzala à favela
Nas entranhas do país
Muitos fugiam de mim ou me olhavam sem me ver
Preconceito marfim que me fez aprender
Escapar dos lixões e da submissão
Mas não me anulei
Do papel que catei fiz abolição
E vi que a dor que não sai nos jornais
Vem dos meus ancestrais falsamente libertos
Pra quem faz papelão de mobília
Casa de família é o caminho mais certo

Ê canindé, cada um com sua cruz
Ê canindé, eu também sou de Jesus
Sinto a fome do excluído
Sente o gume do facão
Vim dar nome ao esquecido
Sem registro ou certidão

Negro drama
Sem nenhum futuro, na terra batida
É a trama, os murros e muros, cidade partida
A grana nos condomínios e seus perdulários
Pelo domínio de mais proletários
A desigualdade é a chama da inquietação
Tijuca dá lugar de fala a um quarto de despejo
A letra retinta tornou-se lampejo
Traz escrevivências pra denunciar
A dor de quem tem fome
É o desprezo de quem come
Só quem viveu pra contar

(Carolina)
Maria de Jesus e dos brasis
Não há amarra que vá nos fazer parar
Um livro aberto fala mais que mil fuzis
Abre a porta social pro meu Borel entrar

Unidos da Tijuca 2026 - Totonho

Voy a abrir mi diario para leer el inventario
De las miserias más febril
De secuela en secuela, de la senzala a la favela
En las entrañas del país
Muchos huían de mí o me miraban sin ver
Prejuicio marfil que me hizo aprender
Escapar de los basurales y de la sumisión
Pero no me anulé
Del papel que recogí hice abolición
Y vi que el dolor que no sale en los periódicos
Viene de mis ancestros falsamente liberados
Para quienes hacen cartón de muebles
Casa de familia es el camino más seguro

Ê canindé, cada uno con su cruz
Ê canindé, yo también soy de Jesús
Siento el hambre del excluido
Siente el filo del machete
Vine a dar nombre al olvidado
Sin registro o certificado

Drama negro
Sin ningún futuro, en la tierra batida
Es la trama, los golpes y muros, ciudad partida
La plata en los condominios y sus derrochadores
Por el dominio de más proletarios
La desigualdad es la llama de la inquietud
Tijuca da lugar de voz a un cuarto de desalojo
La letra retinta se convirtió en destello
Trae escribencias para denunciar
El dolor de quien tiene hambre
Es el desprecio de quien come
Solo quien ha vivido para contar

(Carolina)
María de Jesús y de los brasis
No hay atadura que nos haga parar
Un libro abierto habla más que mil fusiles
Abre la puerta social para que mi Borel entre

Escrita por: Dudu, Totonho, Lequinho, Julio Alves, Jorge Arthur, Gabriel Machado, Fadico, Cláudio Russo, Chico Alves