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Belleza divina

Sandra Reis e Jucimara

Beleza divina

Lá no sítio onde eu moro é uma beleza divina
Eu me deito e me levanto sem apito e sem buzina
Porque lá não tem indústria e nem carro dobrando a esquina
O meu carro é minha égua que caminha muitas léguas
E não gasta gasolina.

Eu não troco minha égua manga larga e campolina
Com mais de um metro de rabo e com dois palmos de crina
Por um carro importado nem que venha da Argentina
Minha égua é mais que um carro anda por cima de barro
Não encalha e não patina.

Sou caboclo pé rachado ninguém muda a minha sina
Gosto de viver no mato e seguir boas doutrinas
Meus filhos são bem criados debaixo da disciplina
Deles não sinto vergonha nunca falaram e maconha
E não conhecem cocaína.

De segunda à sexta-feira não mudo minha rotina
Labuto com a minha roça e quando a semana termina
Pra aquelas beiras de rio eu saio bater corvina
Pego lambari tambiú no meu covo de bambu
Feito de taquara fina.

Com o clima do meu sítio ninguém não se contamina
Gozo de boa saúde não procuro medicina
A gente sente o ar puro entrando pelas narinas
Poluição por lá não passa lá em casa só faz fumaça
Quando acendo a lamparina.

É por isso que eu não troco a minha casa na colina
Sem muralha e sem calçada sem vidraça e sem cortina
Por um prédio na cidade rodeado de vitrina
Caboclo mora onde eu moro bebe água pura sem cloro
E come arroz sem parafina.

Belleza divina

De vuelta donde vivo, es una belleza divina
Me acuesto y me levanto sin silbato y sin cuerno
Porque no hay industria ni coche a la vuelta de la esquina
Mi coche es mi yegua que camina muchas leguas
Y no desperdicia gas

Yo no cambio mi manga larga y campolina yegua
Con más de tres pies de cola y dos pies de melena
Para un coche importado si viene de Argentina
Mi yegua es más que un auto monta sobre arcilla
No se queda varado y no patina

Estoy caboclo roto pie nadie cambia mi destino
Me gusta vivir en la selva y seguir buenas doctrinas
Mis hijos están bien criados bajo disciplina
De ellos no siento vergüenza nunca habló y marihuana
Y no saben la cocaína

De lunes a viernes no cambio mi rutina
Labuto con mi Slop y cuando termina la semana
A esas orillas del río ♪ ♪ Salgo y golpeo a la corvina
Atrapo lambari tambiú en mi tumba de bambú
Hecho de fina taquara

En el estado de ánimo de mi lugar nadie está contaminado
Buen disfrute de la salud No busco la medicina
Puedes sentir el aire fresco que entra por las fosas nasales
La contaminación allí no pasa en la casa, sólo hace humo
Cuando encienda la lámpara

Por eso no cambio mi casa en la colina
Sin pared y sin acera sin acristalamiento y sin cortina
Para un edificio en la ciudad rodeado de escaparate
Caboclo vive donde vivo bebe agua pura sin cloro
Y come arroz sin parafina

Escrita por: Edmauro / Edvaldo