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Las Apariencias Engañan

Santão e Marcondinho

As Aparências Se Enganam

No rico estadão de Minas
Um peão levava boiada
Mais ou menos umas mil cabeça
Holandesa de raça apurada
Encontrou com um cavaleiro
Que vinha na mesma estrada
Na garupa uma mala velha
E a roupa já amarrotada
Com educação perguntou
Se era de venda a grande manada

Boiadeiro foi lhe respondendo
Com um gesto deselegante
O senhor com essa mala velha
Pelos trajes é um pobre andante
Este gado vale uma fortuna
É negócio pra gente importante
Mas vou lhe fazer uma proposta
Somente por ser tolerante
Se puder me comprar uma rês
De presente lhe dou o restante

Nesta hora foi grande a surpresa
Quando ouviu dizer o mineiro
Levo aqui nesta mala velha
Mais de cem milhões de cruzeiros
É depósito que faço mensal
Em um dos bancos brasileiro
Aparências às vezes se engana
Me desculpe meu bom companheiro
Pra comprar a sua boiadinha
Não preciso cheque, lhe pago em dinheiro

Boiadeiro foi-se desculpando
Enfrentando a realidade
E o mineiro foi lhe retrucando
Lhe dizendo umas boas verdades
Essas terras aqui onde pisa
Já pertencem a minha propriedade
Aqui tenho diversos retiros
Crio gado em grande quantidade
Produzindo a carne e o leite
Que abastece as grandes cidades

Se hoje sou um grande pecuarista
Porém fui um simples lavrador
Mas para ganhar isso tudo
Neste sangue derramei meu suor
Por isso sou um caboclo humilde
E não sei me bancar superior
Me exaltei porque fui provocado
Mas eu quero alertar o senhor
Que às vezes os trajes de um homem
Não demonstra seu grande valor

Las Apariencias Engañan

En el rico estado de Minas
Un peón llevaba ganado
Unas mil cabezas más o menos
De raza holandesa pura
Se encontró con un caballero
Que venía por el mismo camino
En la silla una maleta vieja
Y la ropa arrugada
Con educación preguntó
Si la gran manada estaba en venta

El vaquero le respondió
de manera grosera
Señor, con esa maleta vieja
Por su atuendo parece un pobre vagabundo
Este ganado vale una fortuna
Es un negocio para gente importante
Pero le haré una oferta
Solo por ser tolerante
Si puede comprarme una res
Le regalo el resto

En ese momento fue una gran sorpresa
Cuando escuchó al minero decir
Llevo en esta maleta vieja
Más de cien millones de cruzeiros
Es un depósito que hago mensualmente
En uno de los bancos brasileños
Las apariencias a veces engañan
Disculpe, mi buen compañero
Para comprar su ganado
No necesito un cheque, le pago en efectivo

El vaquero se disculpó
Enfrentando la realidad
Y el minero le respondió
Diciéndole algunas verdades
Estas tierras donde pisa
Ya son parte de mi propiedad
Aquí tengo varios ranchos
Crio ganado en gran cantidad
Produciendo carne y leche
Que abastece a las grandes ciudades

Si hoy soy un gran ganadero
Antes fui un simple agricultor
Pero para ganar todo esto
Derramé mi sudor en esta tierra
Por eso soy un hombre humilde
Y no pretendo ser superior
Me exalté porque fui provocado
Pero quiero advertirle, señor
Que a veces la apariencia de un hombre
No muestra su verdadero valor

Escrita por: Marcondinho / Roberto Motta Pessoa