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Tan Ser

Sara Lizz

Ser Tão

Me conta, aponta pra mim
Tudo o que não seria o óbvio
Tudo o que seria utópico viver
No meu arado marcado de dor, apronta
Me tira das minhas ideias
Mexe nas minhas certezas

Me despe, me beije
Como se não houvesse depois
Como se pudesse nós dois

Condensada nuvem, claro dia
Se faz sagrada
Nas frestas, rachaduras da secura
Terra sedenta, avermelhada
Sangrando vermelho coração
Rachaduras do sertão
Me faz em dois
Em antes e depois de você

Faze do peito arado terreno
Que se corta com as mãos, aos poucos e sem jeito

Tan Ser

Cuéntame, señálame
Todo lo que no sería obvio
Todo lo que sería utópico vivir
En mi arado marcado de dolor, prepárate
Sácame de mis ideas
Revuelve mis certezas

Desnúdame, bésame
Como si no hubiera un después
Como si pudiéramos los dos

Nube condensada, día claro
Se vuelve sagrada
En las grietas, fisuras de la sequedad
Tierra sedienta, rojiza
Sangrando rojo corazón
Grietas del sertón
Me divide en dos
En antes y después de ti

Haz del pecho arado terreno
Que se corta con las manos, poco a poco y sin destreza

Escrita por: Sara LIzz