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Paraíso Caboclo

Sebastião Dias

Paraíso Caboclo

Quando me perguntam
Porque eu não deixo o campo
E vou morar na cidade
Eu sou sertanejo de origem cabocla
E mudar meus costumes não tenho vontade
A cidade é rica, mas não tem sossego
O campo é saudável tem mais liberdade

O campo é o berço da minha família
A minha história ali começou
Aquele pau d'arco do fim do fim do fim do baixio
É muito mais velho do que meu avô
Aquele coqueiro da margem do rio
Nasceu de uma muda que mamãe plantou

Aquela mangueira do meio da várzea
Faz parte da nossa fiel parentela
Nos tempos de infância, meus tios e tias
Todas tardezinhas iam brincar nela
Pela lei das árvores nós somos parentes
Das outras mangueiras que nasceram dela

As galhas corcundas daquela oiticica
Já se acostumaram a me balançar
E os passarinhos que voam felizes
São nosso vizinhos moram no pomar
Toda madrugada eles cantam juntos
A canção do dia para eu me acordar

Aquelas montanhas
Que emendam nas nuvens
São formas de encantos de antigos reinados
Aquelas palmeiras copadas de verdes
Parecem fantasmas de velhos soldados
Que estão vigiando o livro do tempo
Onde estão escritos meus antepassados

Aqueles lajedos em cima uns dos outros
Me servem de escadas janela e divã
De lá eu percebo tudo que se passa
Na alma da serra no rio e na chã
Ali eu contemplo todas 5 horas
O céu nos doando a luz da manhã

Ponteio a viola deitado nas sombras
Faço um travesseiro de folha e raiz
As plantas me curam
As flores me alegram
E o banho da fonte me deixa feliz
Eu não tenho inveja das cidades grandes
Eu moro no canto melhor do país

Canto a dor da terra
E meus irmãos caboclos
Se emocionam com minha canção
Ali ninguém fala em crime ou em guerra
A paz mora dentro do meu coração
Por isso agradeço a mãe natureza
Por ser cantador e viver no sertão

Paraíso Caboclo

Cuando me preguntan
Por qué no dejo el campo
Y me voy a vivir a la ciudad
Soy del campo, de origen caboclo
Y no tengo ganas de cambiar mis costumbres
La ciudad es rica, pero no tiene paz
El campo es sano, tiene más libertad

El campo es la cuna de mi familia
Mi historia comenzó allí
Aquel palo de arco del fin del fin del fin del bajío
Es mucho más viejo que mi abuelo
Aquel cocotero a la orilla del río
Nació de una plántula que mamá sembró

Aquel mango en medio de la vega
Es parte de nuestra fiel parentela
En los tiempos de infancia, mis tíos y tías
Todas las tardes iban a jugar en él
Por la ley de los árboles somos parientes
De los otros mangos que nacieron de él

Las ramas encorvadas de aquella oiticica
Ya se acostumbraron a mecerme
Y los pajaritos que vuelan felices
Son nuestros vecinos, viven en el huerto
Cada madrugada cantan juntos
La canción del día para que me despierte

Aquellas montañas
Que se unen a las nubes
Son formas de encantos de antiguos reinados
Aquellas palmeras copadas de verdes
Parecen fantasmas de viejos soldados
Que están vigilando el libro del tiempo
Donde están escritos mis antepasados

Aquellas piedras apiladas unas sobre otras
Me sirven de escaleras, ventana y diván
Desde allí percibo todo lo que pasa
En el alma de la sierra, en el río y en la llanura
Allí contemplo a las 5 en punto
El cielo regalándonos la luz de la mañana

Toco la guitarra acostado en las sombras
Hago una almohada de hojas y raíces
Las plantas me curan
Las flores me alegran
Y el baño de la fuente me deja feliz
No tengo envidia de las grandes ciudades
Vivo en el mejor rincón del país

Canto el dolor de la tierra
Y mis hermanos caboclos
Se emocionan con mi canción
Allí nadie habla de crimen o guerra
La paz vive dentro de mi corazón
Por eso agradezco a madre naturaleza
Por ser cantador y vivir en el sertón

Escrita por: Sebastião Dias