O Último Poeta
- Amor, já vou. Pois é, o amor passou.
- Vai não, meu bem, por mim
Esquece dessa outra, que pra onde quer que vá eu vou.
Pequeno assim foi que eu te conheci
Você corre, tem pressa de chegar
Num lugar feito de sonho e ar
Que ninguém bota fé
Não, mas será que não vê?
Que pra onde quer que vá eu vou?
Eu vou.
E o rapaz demorou pra perceber o que tinha lá, fez da cabeça o céu e dos pés o mar.
- Já faz um tempo eu não te vejo, por onde você foi?
- Rapaz, aí anda tudo tão magro e solitário
Me diz quem fez isso ao teu cais?
Pois por muito eu vi em ti o meu porto seguro pra ancorar
E não foi sem razão?
Olhe bem pra mim, pois quem sabe assim
Entenda que você sempre será
O único poeta pra mim.
E os dois voltaram juntos pro seu velho lugar
A moça disse: "Cara, nunca mais se vá"
O rapaz sorriu e disse por final:
- Pra onde quer que vá eu vou.
El Último Poeta
- Amor, ya me voy. Sí, el amor se fue.
- No te vayas, cariño, por mí
Olvídate de esa otra, que a donde sea que vaya, yo voy.
Así de pequeño fue como te conocí
Tú corres, tienes prisa por llegar
A un lugar hecho de sueños y aire
Que nadie cree
No, ¿pero acaso no ves?
Que a donde sea que vaya, yo voy?
Yo voy.
Y el chico tardó en darse cuenta de lo que había allí, convirtió su cabeza en cielo y sus pies en mar.
- Hace tiempo que no te veo, ¿a dónde fuiste?
- Chico, todo anda tan escaso y solitario por aquí
Dime, ¿quién hizo esto a tu muelle?
Pues por mucho tiempo te vi como mi puerto seguro para anclar
¿Y no fue sin razón?
Mírame bien, pues quizás así
Entiendas que siempre serás
El único poeta para mí.
Y los dos regresaron juntos a su antiguo lugar
La chica dijo: 'Chico, nunca te vayas de nuevo'
El chico sonrió y dijo al final:
- A donde sea que vaya, yo voy.
Escrita por: Gabriel Aragão