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Estatuas

Sergio Anil

Estátuas

Eu inundo os meus dias
Com o descuido das promessas
Prefiro o meu refugio
Tento em vão pregar peças
Armo as minhas ciladas
São inúteis emboscadas
Com as mãos despreparadas
Tempo é máquina quebrada

Decoro o meu silêncio
Planejo o meu nascimento
Convoco novas pessoas
Com o grito que não ecoa
Passo a tarde em esquecimento
Na fúria do meu lamento
Beijo o ar e toco o nada
Brinco com a paz envenenada

De repente novos enfeites
Estátuas perfeitas, diversas
De vários tamanhos e razões
Surgem por todos os lados

Coloco no melhor canto
À vista a todo momento
Me encanta que elas agem
Fazem coisas que fizeram
Quando não eram só pedra
Mas ações e companhia
E se diziam eternas
Pro pior medo da minha vida

Sorriem com velhos dentes
Dizem frases estacionadas
Nas férias do meu consciente
Na incerteza de uma piada

Sem aviso minhas estátuas
Se quebram, se esfarelam
Nas esperanças mais árduas
Da minha lembrança mais bela
Isso é tudo que me resta
A construção da minha seta
Defesa da escuridão
Estátuas se formam na solidão

Estatuas

Inundo mis días
Con el descuido de las promesas
Prefiero mi refugio
Intento en vano jugar bromas
Armo mis trampas
Son emboscadas inútiles
Con las manos desprevenidas
El tiempo es una máquina rota

Decoro mi silencio
Planeo mi nacimiento
Convoco nuevas personas
Con el grito que no resuena
Paso la tarde en el olvido
En la furia de mi lamento
Beso el aire y toco la nada
Juego con la paz envenenada

De repente nuevos adornos
Estatuas perfectas, diversas
De varios tamaños y razones
Surgen por todos lados

Coloco en el mejor rincón
A la vista en todo momento
Me encanta que actúen
Hacen cosas que hicieron
Cuando no eran solo piedra
Sino acciones y compañía
Y se decían eternas
Para el peor miedo de mi vida

Sonríen con viejos dientes
Dicen frases estancadas
En las vacaciones de mi conciencia
En la incertidumbre de un chiste

Sin previo aviso mis estatuas
Se quiebran, se desmoronan
En las esperanzas más arduas
De mi recuerdo más hermoso
Eso es todo lo que me queda
La construcción de mi flecha
Defensa de la oscuridad
Estatuas se forman en la soledad

Escrita por: Sergio Anil / Vinicius Noronha