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Sueño

Sergio Anil

Sonho

Seu nome era dor
Seu sorriso dilaceração
Seus braços e pernas
Asas, seu sexo, seu escudo
Sua mente, libertação

Nada satisfaz seu impulso
De mergulhar em prazer
Contra todas as correntes
Em uma só correnteza
Quem faz rolar, quem tu és?

Mulher! Solitária e sólida
Envolvente e desafiante
Quem te impede de gritar?
Do fundo de sua garganta
Único brado que alcança
Que te delimita

Mulher! Marca de mito embotável
Mistério que a tudo anuncia
E que se expõe dia a dia
Quando deverias estar resguardada

Seu ritus de alegria
Seus véus entrecruzados
De velharias da inóspita
Tradição irradias

Mulher! Há corte e cortes profundos
Em sua pele, em seu pelo
Há sulcos em sua face
Que são caminhos do mundo
São mapas indecifráveis
Em cartografia antiga

Precisas de um pirata
De boa pirataria
Que te arranques da selvageria
E te coloque mais uma vez
Diante do mundo
Mulher

Sueño

Tu nombre era dolor
Tu sonrisa, desgarro
Tus brazos y piernas
Alas, tu sexo, tu escudo
Tu mente, liberación

Nada satisface tu impulso
De sumergirte en placer
Contra todas las corrientes
En una sola corrienteza
¿Quién hace rodar, quién eres?

¡Mujer! Solitaria y sólida
Envolvente y desafiante
¿Quién te impide gritar?
Desde lo más profundo de tu garganta
Único grito que alcanza
Que te delimita

¡Mujer! Marca de mito inquebrantable
Misterio que todo anuncia
Y que se expone día a día
Cuando deberías estar resguardada

Tu rito de alegría
Tus velos entrelazados
De antigüedades de la inhóspita
Tradición irradias

¡Mujer! Hay cortes y heridas profundas
En tu piel, en tu pelo
Hay surcos en tu rostro
Que son caminos del mundo
Son mapas indescifrables
En cartografía antigua

Necesitas un pirata
De buena piratería
Que te arranque de la salvajería
Y te coloque una vez más
Frente al mundo
¡Mujer!

Escrita por: Sergio Anil, Beatriz Nascimento