395px

Versos Azules

Sergio Anil

Versos Azuis

Percebi nossa Torre de Babel
Pra não me afogar nas suas águas
Temendo o inferno abri mão do teu céu
Pra não afundar no meu poço de mágoas

Você não sabe lidar com carinho
E eu não sei com qualquer rejeição
Meu cansaço vem desse redemoinho
Deixo no passado a admiração

Me fortaleci com sua promessa
De proteção até chegar alguém
Mas o seu tempo me mostrou com pressa
Que seu engano é o meu também

Me desnudei, mostrei minhas mazelas
Você se incomodou, chorou por dó
Conheceu as histórias e as sequelas
Se viu na dor de quem sempre foi só

A sensação do seu cabelo fino
No abraço emprestado que é novidade
Desisti do mergulho no menino
Que só fica a vontade na minha cidade

A ironia de um vício igual
Cabelo, corpo, boca, cheiro e pele
Se você não fica pra curar meu mal
É porque o seu te domina e me repele

Pra enfrentar sua fuga eu minto
Ainda não aprendi a sair
O que vi dentro desse labirinto
Me cativou mas vai me destruir

Tentei sair de minha escuridão
Enxergando em você alguma luz
Eu quis colorir meu pobre refrão
Mas seus versos eram somente azuis

Versos Azules

Me di cuenta de nuestra Torre de Babel
Para no ahogarme en tus aguas
Temeroso del infierno, renuncié a tu cielo
Para no hundirme en mi pozo de amargura

No sabes cómo manejar el cariño
Y yo no sé lidiar con cualquier rechazo
Mi cansancio viene de este remolino
Dejo en el pasado la admiración

Me fortalecí con tu promesa
De protección hasta que llegara alguien más
Pero tu tiempo me mostró con prisa
Que tu engaño es también el mío

Me desnudé, mostré mis debilidades
Te incomodaste, lloraste por lástima
Conociste las historias y las secuelas
Te viste en el dolor de quien siempre estuvo solo

La sensación de tu cabello fino
En el abrazo prestado que es novedad
Desistí de sumergirme en el chico
Que solo se queda a gusto en mi ciudad

La ironía de un vicio igual
Cabello, cuerpo, boca, olor y piel
Si no te quedas para sanar mi mal
Es porque el tuyo te domina y me repele

Para enfrentar tu huida, miento
Todavía no aprendo a salir
Lo que vi dentro de este laberinto
Me cautivó pero me destruirá

Intenté salir de mi oscuridad
Viendo en ti alguna luz
Quise colorear mi pobre estribillo
Pero tus versos eran solo azules

Escrita por: Sergio Anil