Homem-peixe
Pulou para fora do aquário
Rastejou no carpete
Procurou um mar imaginário
Sem que ninguém soubesse
Rolou da escada
Querendo alcançar a rua
Chegou até a calçada
Saiu embaixo da chuva
Seguiu pegadas
Deixou vestígios
Descamou em estradas
De delírio
Atravessou pistas
Chafurdou na lama
Prejudicou as vistas
Machucou as barbatanas
Mergulhou em poças
Refugiou no cais do porto
Esbarrou em louças
Sem nenhum conforto
Buscou um barraco
Um pedaço de vitrine
Uma peça de teatro
Um roteiro de filme
Um conto
Uma canção
Ficou sem ponto
Sem noção
Nada encontrou
Nem mesmo um tema
Só se encaixou
Nessa música esse poema
Hombre-pez
Saltó fuera del acuario
Se arrastró por la alfombra
Buscó un mar imaginario
Sin que nadie supiera
Rodó por la escalera
Queriendo llegar a la calle
Llegó hasta la acera
Salió bajo la lluvia
Siguió huellas
Dejó rastros
Descamó en caminos
De delirio
Atravesó pistas
Revolcándose en el barro
Perjudicó la vista
Lastimó las aletas
Se sumergió en charcos
Se refugió en el muelle del puerto
Chocó con vajilla
Sin ningún consuelo
Buscó un barraco
Un pedazo de vitrina
Una pieza de teatro
Un guion de película
Un cuento
Una canción
Quedó sin rumbo
Sin noción
Nada encontró
Ni siquiera un tema
Solo encajó
En esta música, este poema
Escrita por: Marcio Rufino / Sergio-SalleS-oigerS