Recital para a Porta da Cozinha
Eu quero é ver você despencar
Do octogésimo primeiro andar
Dentro de um balde sem água
Olhar sua roupa manchada de sangue
E perceber sua vulnerabilidade
Você que sempre me contava estórias de terror
Em que o sapo e a princesa
Terminavam comendo quebra-queixo no grande final
Hoje limita-se a olhar para o céu
À procura de pilhas alcalinas pro seu aparelho de barbear
Todos seus gestos foram armazenados na minha unha encravada
Não há nada que eu não saiba sobre você
Rasga-se o tempo, transforma-se o dia em cana da brava
E seu sorriso permanece um mórbido buquê
Duas semanas e meia atrás você me disse
Que os hipopótamos não sabiam plantar bananeira
E que os hipopótamos não sabiam dançar balé
Tudo mentira
Recital para la Puerta de la Cocina
Lo que quiero es verte caer
Desde el octogésimo primer piso
Dentro de un balde sin agua
Ver tu ropa manchada de sangre
Y darte cuenta de tu vulnerabilidad
Tú que siempre me contabas historias de terror
Donde la rana y la princesa
Terminaban comiendo dulce de coco al final
Hoy solo miras al cielo
Buscando pilas alcalinas para tu máquina de afeitar
Todos tus gestos están grabados en mi uña encarnada
No hay nada que no sepa de ti
El tiempo se desgarra, el día se convierte en caña brava
Y tu sonrisa sigue siendo un mórbido ramo
Hace dos semanas y media me dijiste
Que los hipopótamos no sabían hacer el pino
Y que los hipopótamos no sabían bailar ballet
Todo mentira
Escrita por: Sergio-SalleS-oigerS