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Recital para la Puerta de la Cocina

Sergio-SalleS-oigerS

Recital para a Porta da Cozinha

Eu quero é ver você despencar
Do octogésimo primeiro andar
Dentro de um balde sem água
Olhar sua roupa manchada de sangue
E perceber sua vulnerabilidade

Você que sempre me contava estórias de terror
Em que o sapo e a princesa
Terminavam comendo quebra-queixo no grande final
Hoje limita-se a olhar para o céu
À procura de pilhas alcalinas pro seu aparelho de barbear

Todos seus gestos foram armazenados na minha unha encravada
Não há nada que eu não saiba sobre você

Rasga-se o tempo, transforma-se o dia em cana da brava
E seu sorriso permanece um mórbido buquê

Duas semanas e meia atrás você me disse
Que os hipopótamos não sabiam plantar bananeira
E que os hipopótamos não sabiam dançar balé

Tudo mentira

Recital para la Puerta de la Cocina

Lo que quiero es verte caer
Desde el octogésimo primer piso
Dentro de un balde sin agua
Ver tu ropa manchada de sangre
Y darte cuenta de tu vulnerabilidad

Tú que siempre me contabas historias de terror
Donde la rana y la princesa
Terminaban comiendo dulce de coco al final
Hoy solo miras al cielo
Buscando pilas alcalinas para tu máquina de afeitar

Todos tus gestos están grabados en mi uña encarnada
No hay nada que no sepa de ti

El tiempo se desgarra, el día se convierte en caña brava
Y tu sonrisa sigue siendo un mórbido ramo

Hace dos semanas y media me dijiste
Que los hipopótamos no sabían hacer el pino
Y que los hipopótamos no sabían bailar ballet

Todo mentira

Escrita por: Sergio-SalleS-oigerS