395px

Renuncia del peón

Silveira e Silveirinha

Renúncia de Peão

Quando eu vejo um caminhão
Transportando uma boiada
Lembro do tempo de peão
Da minha vida passada

Passei minha mocidade
Viajando pelas estradas
Laçando zebu arisco
Pra não deixar de arribada

Saí do estado de Minas
Junto com a peonada
Viajando noite e dia
Nas estradas empoeiradas

Quando chegava em São Paulo
Que era o fim da jornada
Mil e duzentas cabeças
Entregava na charqueada

Eu tinha uma mula baia
Das orelhas entesourada
Era era marchadeira
Das quatro patas ferrada

Quando passava na rua
Saía fogo da calçada
A peonada tinha inveja
Da minha besta dourada

Todas as coisas têm seu tempo
Tem dia e hora marcada
Eu deixei de ser peão
Hoje não faço mais nada

Por causa dos movimentos
Nas estradas asfaltada
Os caminhões tomaram conta
Do transporte de boiada

Eu vendi a mula baia
Nunca mais toquei boiada
Mas tem noite que eu sonho
Com o gado da invernada

Guardei pra recordação
Da minha vida passada
O berrante e uma guaiaca
E um par de espora prateada

Renuncia del peón

Cuando veo un camión
Transportando una manada
Recuerdo los días de peón
De mi vida pasada

Pasé mi juventud
Viajando por las carreteras
Lazando cebúes ariscos
Para no perder la arribada

Salí del estado de Minas
Junto con los peones
Viajando noche y día
Por las polvorientas carreteras

Cuando llegaba a São Paulo
Que era el fin del camino
Mil doscientas cabezas
Entregaba en el matadero

Tenía una mula alazana
Con las orejas entesouradas
Era marchadora
Ferrada en las cuatro patas

Cuando pasaba por la calle
Salía fuego del pavimento
Los peones envidiaban
A mi bestia dorada

Todas las cosas tienen su tiempo
Tienen día y hora marcada
Dejé de ser peón
Hoy no hago nada más

Debido a los cambios
En las carreteras asfaltadas
Los camiones se hicieron cargo
Del transporte de la manada

Vendí la mula alazana
Nunca más manejé una manada
Pero hay noches en las que sueño
Con el ganado del invierno

Guardé como recuerdo
De mi vida pasada
El cuerno y una bolsa
Y un par de espuelas plateadas

Escrita por: Silveira / Roque José De Almeida