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Amour de Champ

Silvério Pessoa

Amor De Capinheiro

Todo cambiteiro tem um reio
Todo carreiro tem um facão
Amor de capinheiro não me engana
Todo cortador de cana tem uma foice de mão

De madrugada quando a usina apita
Vem o feitor chamando a rapaziada
E o vaqueiro dando grito na boiada
E a moenda quebra cana todo dia
Vaco, paró e turbina
Até a destilaria

Todo cambiteiro tem um reio
Todo carreiro tem um facão
Amor de capinheiro não me engana
Todo cortador de cana tem uma foice de mão

De manhãzinha o carreiro vai carrear
O cambiteiro também sai pra cambitar
Chega na palha carrega seu animal
Dá um grito e um estalo de reio
Ele desce sem receio daquele canavial

Todo cambiteiro tem um reio
Todo carreiro tem um facão
Amor de capinheiro não me engana
Todo cortador de cana tem uma foice de mão

Já fui carreiro e cambiteiro em Goiana cortar cana
Era minha profissão, na hora vaga ia encher o vagão
Mas digo, hoje sou um pobre cambiteiro
Trabalho, ganho dinheiro na fazenda do patrão, seu João

Amour de Champ

Tout cambiteiro a un reio
Tout carreiro a un grand couteau
L'amour de champ ne m'escroque pas
Tout coupeur de canne a une faux à la main

À l'aube quand l'usine sonne
Le contremaître appelle les gars
Et le cow-boy crie sur le bétail
Et la moende casse la canne tous les jours
Vaco, paró et turbine
Jusqu'à la distillerie

Tout cambiteiro a un reio
Tout carreiro a un grand couteau
L'amour de champ ne m'escroque pas
Tout coupeur de canne a une faux à la main

Le matin le carreiro part à la tâche
Le cambiteiro sort aussi pour bosser
Arrive à la paille, charge son animal
Lance un cri et un coup de reio
Il descend sans peur de ce champ de canne

Tout cambiteiro a un reio
Tout carreiro a un grand couteau
L'amour de champ ne m'escroque pas
Tout coupeur de canne a une faux à la main

J'ai été carreiro et cambiteiro à Goiana pour couper de la canne
C'était mon métier, pendant les pauses je remplissais le wagon
Mais je dis, aujourd'hui je suis un pauvre cambiteiro
Je travaille, je gagne de l'argent à la ferme du patron, Monsieur João

Escrita por: Antonio Clemente / Jacinto Silva