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No se puede olvidar

Silvestre Kuhlmann

Não dá pra Esquecer

Não dá pra esquecer
Do Amazonas, do rio Madeira,
Seus afluentes e igarapés;
Seus peixes, tucunaré, jatuarana,
Pirarara, boto, arraia.

Não dá pra esquecer
Do seringueiro, do pescador,
Do garimpeiro e do semeador;
Da roça de macaxeira,
Do urucum, bacuri, açaí,
Do ingá, tucumã, cuia, cupuaçu.

Não dá pra esquecer
Que eles são esquecidos,
Não dá pra esquecer
Que nós somos omissos,
Não dá pra esquecer
Da cunhã sem leite,
Curumim com fome,
Do caboclo doente,
Cunhantã que se vende.

Não dá pra esquecer
Do marinheiro, obreiro, pastor,
Que no meio da mata adora ao Senhor
Que os criou e não se esqueceu
E espera que nós não nos esqueçamos
E em verbo e ação nos unamos.

No se puede olvidar

No se puede olvidar
Del Amazonas, del río Madeira,
Sus afluentes e igarapés;
Sus peces, tucunaré, jatuarana,
Pirarara, boto, raya.

No se puede olvidar
Del cauchero, del pescador,
Del buscador de oro y del sembrador;
Del campo de yuca,
Del achiote, bacurí, açaí,
Del ingá, tucumán, totuma, copoazú.

No se puede olvidar
Que ellos son olvidados,
No se puede olvidar
Que nosotros somos omisos,
No se puede olvidar
De la mujer sin leche,
Niño con hambre,
Del mestizo enfermo,
Mujer que se vende.

No se puede olvidar
Del marinero, obrero, pastor,
Que en medio de la selva adora al Señor
Que los creó y no se olvidó
Y espera que nosotros no nos olvidemos
Y en verbo y acción nos unamos.

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