Soneto Obeso
Lá no Pará tem pato ao tucupi,
Doce de bacuri no Ver-o-Peso;
Quando fui me pesar, me vi obeso,
De iguarias do norte me entupi.
Duas vezes meu raio vezes pi,
É tão longo que o cinto fica teso;
Se eu tratar o regime com desprezo,
Nunca mais eu verei este pipi.
No Maranhão tem arroz de cuxá,
Em Maceió, sururu de capote,
E eu me esqueço do chuchu e do chá.
Deste jeito eu afundo qualquer bote;
Ta ficando difícil de agachar.
Mas se o doce é gostoso eu como um pote!
Soneto Obeso
En Pará hay pato al tucupí,
Dulce de bacurí en el Ver-o-Peso;
Cuando fui a pesarme, me vi obeso,
De manjares del norte me atiborré.
Dos veces mi radio veces pi,
Es tan largo que el cinturón se pone tenso;
Si desprecio la dieta,
Nunca más veré este pipí.
En Maranhão hay arroz de cuxá,
En Maceió, sururu de capote,
Y olvido el chayote y el té.
Así, hundo cualquier bote;
Se está poniendo difícil agacharse.
Pero si el dulce es rico, ¡me como un pote!
Escrita por: Silvestre Kuhlmann