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Dos Hijos

Silvestre Kuhlmann

Dois Filhos

Quis logo a herança o mais moço
Foi pra longe em sua andança
E sem pesar na balança
Gastou no fundo do poço
Nada tinha nem pro almoço
Então veio à sua lembrança
Tive lar, tive abastança
Na casa do pai que é nosso

Caiu em si, com remorso
Começou assim a mudança
Na mente fez a sentença
Em arrependimento imerso
Vou voltar e ao pai dizer:
Veja só o meu pecado
Trate-me como empregado
Filho não mereço ser

E o pai vendo-o distante
Correu, lançou-se ao pescoço
Do moço fez alvoroço
Ordenou em um instante:
Ponham nele a melhor veste
E um anel em seu dedo
Ele voltou do degredo
Tragam sandálias pra este!
Matem o novilho cevado
Comamos com alegria
Com dança e cantoria
Pois meu filho foi achado!

Voltando o filho primeiro
Do campo em que trabalhava
Ouviu o som que soava
E a um servo indagou ligeiro:
Que cantoria é esta?
E ouviu: Teu irmão voltou
São e salvo retornou
E seu pai fez uma festa

O mais velho, indignado
Não entrou, ficou de fora
Saiu o pai: Comemora!
E o mais velho deu um brado:
Eu te sirvo há temporadas
Nunca desobedeci
Cabrito, não recebi
Pra juntar meus camaradas
Este que desperdiçou
Os teus bens com prostitutas
Sem dividir as labutas
O bezerro aproveitou

O pai lhe disse: Meu filho
Tu sempre estás comigo
És servo ou és amigo?
É teu o vinho, o novilho
Tudo o que tenho é teu
Era justo festejarmos
E também nos alegrarmos
Pelo irmão que reviveu

Dos Hijos

Quise pronto la herencia el menor
Se fue lejos en su andar
Y sin pesar en la balanza
Gastó en el fondo del pozo
Nada tenía ni para el almuerzo
Entonces vino a su memoria
Tuve hogar, tuve abundancia
En la casa del padre que es nuestro

Se arrepintió, con remordimiento
Comenzó así el cambio
En su mente hizo la sentencia
Inmerso en arrepentimiento
Voy a volver y al padre decir:
Mira mi pecado
Trátame como empleado
Hijo no merezco ser

Y el padre viéndolo distante
Corrió, se lanzó a su cuello
Del joven hizo alboroto
Ordenó en un instante:
Pónganle la mejor ropa
Y un anillo en su dedo
Él volvió del destierro
¡Traigan sandalias para este!
Maten el ternero cebado
Comamos con alegría
Con baile y cantar
¡Pues mi hijo fue encontrado!

Volviendo el hijo primero
Del campo en que trabajaba
Escuchó el sonido que resonaba
Y a un sirviente preguntó rápido:
¿Qué celebración es esta?
Y escuchó: Tu hermano volvió
Sano y salvo regresó
Y tu padre hizo una fiesta

El mayor, indignado
No entró, se quedó afuera
Salió el padre: ¡Celebra!
Y el mayor dio un grito:
Te he servido por temporadas
Nunca desobedecí
Cordero, no recibí
Para reunir a mis amigos
Este que derrochó
Tus bienes con prostitutas
Sin compartir las labores
El becerro aprovechó

El padre le dijo: Hijo mío
Tú siempre estás conmigo
¿Eres siervo o eres amigo?
El vino, el ternero son tuyos
Todo lo que tengo es tuyo
Era justo que celebráramos
Y también nos alegráramos
Por el hermano que revivió

Escrita por: Jônatas Reis / Silvestre Kuhlmann