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Guri

Silvio Ruann

Guri

Das roupas velhas do pai queria que a mãe fizesse
Uma mala de garupa, uma bombacha e me desse

Queria boinas, alpargatas e um cachorro companheiro
Pra me ajudar a botar as vacas no meu petiço sogueiro

Hei de ter uma tabuada e o meu livro queres ler
Vou aprender a fazer contas e um bilhete escrever
Pra que a filha do seu Bento saiba que é meu bem-querer
E se não for por escrito eu não me animo a dizer

Quero gaita de oito baixos pra ver o ronco que sai
Bota feitio do Alegrete e esporas do Ibirocai
Lenço vermelho e guaiaca compradas lá no Uruguai
Pra que digam quando eu passe: Saiu igualzito ao pai!

E se Deus não achar muito tanta coisa que eu pedi
Não deixe que eu me separe deste rancho onde eu nasci
Nem me desperte tão cedo do meu sonho de guri
E de lambuja permita que eu nunca saia daqui
E de lambuja permita que eu nunca saia daqui

Guri

De la ropa vieja de papá quería que mamá hiciera
Una maleta de carga, un pantalón y me diera

Quería boinas, alpargatas y un perro compañero
Para ayudarme a llevar las vacas en mi soga de vaquero

He de tener una tabla de multiplicar y mi libro quieres leer
Voy a aprender a hacer cuentas y un billete escribir
Para que la hija del señor Bento sepa que es mi querer
Y si no es por escrito, no me animo a decir

Quiero un acordeón de ocho bajos para escuchar el sonido que sale
Con el estilo de Alegrete y espuelas de Ibirocai
Pañuelo rojo y guaiaca comprados allá en Uruguay
Para que digan cuando pase: ¡Salió igualito a papá!

Y si Dios no cree que son muchas cosas las que pedí
No dejes que me separe de este rancho donde nací
Ni me despiertes tan temprano de mi sueño de niño
Y de paso, permite que nunca salga de aquí
Y de paso, permite que nunca salga de aquí

Escrita por: Julio Machado da Silva Filho, João Batista Machado