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Boca de Litro

Simão e Sabino

Boca de Litro

Hoje tão sozinho vivo relembrando
O homem que eu era há tampos atrás
A mulher e filhos que abandonei
Tudo que eu tinha e não tenho mais

Eu mesmo cavei minha sepultura
Fiz o meu enterro com as próprias mãos
Todos me desprezam por junto motivo
Porque o meu corpo é um morto vivo
E um vivo morto é meu coração

Ao passar em frente de um ex-companheiro
Vejo esta cena que me entristece
O mesmo amigo que me estimava
Hoje faz de conta que não me conhece

Até as pessoas da minha família
Ao me ver pendendo pra lá e pra cá
Olham para mim e cheios de revolta
De onde eu estou eles dão a volta
E passam por longe pra não me encontrar

Só por eu viver sempre embriagado
Me dão cada nome dos mais esquisitos
Bebum de sarjeta, pinguço de rua
De bafo de onça e boca de litro

E tarde da noite quando fecha o bar
A fria calçada é o meu abrigo
Eu sou um farrapo jogado na vida
Eu quis acabar com a maldita bebida
Mas foi a bebida que acabou comigo

Boca de Litro

Hoy tan solo vivo recordando
Al hombre que solía ser hace mucho tiempo atrás
La mujer y los hijos que abandoné
Todo lo que tenía y ya no tengo más

Yo mismo cavé mi propia tumba
Hice mi propio entierro con mis propias manos
Todos me desprecian por la misma razón
Porque mi cuerpo es un muerto viviente
Y un vivo muerto es mi corazón

Al pasar frente a un ex compañero
Veo esta escena que me entristece
El mismo amigo que me estimaba
Hoy finge que no me conoce

Incluso las personas de mi familia
Al verme tambalear de un lado a otro
Me miran con disgusto
Desde donde están, dan la vuelta
Y pasan lejos para no encontrarme

Solo por vivir siempre embriagado
Me llaman con los nombres más extraños
Borracho de la calle, ebrio de la calle
Con aliento a licor y boca de litro

Y tarde en la noche cuando cierra el bar
La fría acera es mi refugio
Soy un harapo tirado en la vida
Quise acabar con la maldita bebida
Pero fue la bebida la que acabó conmigo

Escrita por: Benedito Seviero / Tomaz