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Hecho Consumado

Simone

Coisa Feita

Sou bem mulher
De pegar macho pelo pé
Reencarnação da Princesa do Daomé
Eu sou marfim,
lá das Minas do Salomão
Me esparramo em mim,
Lua cheia sobre o carvão

Um mulherão,
Balangandãs, cerâmica e sisal
Língua assim
A conta certa entre a baunilha
e o sal
Fogão de lenha,
Garrafa de areia colorida
Pedra-sabão
Peneira e água boa de moringa
Sou de arrancar couro
De farejar ouro
Princesa do Daomé
Sou coisa feita
Se o malandro se aconchegar
Vai morrer na esteira
Maré sonsa de Paquetá
Sou coisa benta
Se provar do meu aluá
Bebe o Pólo Norte
bem tirado do samovar

Neguinho assim, ó,
Já escreveu atrás do caminhão
"A mulher que não se esquece
é lá do Daomé"
Faço mandinga
fecho os caminhos com as cinzas
Deixo biruta
Lelé da cuca, zuretão, ranzinza
Pra não ficar bobo
melhor fugir logo
Sou de pegar pelo pé
Sou avatar vudú,
Sou de botar fogo
Princesa do Daomé

Hecho Consumado

Soy toda una mujer
Que agarra a los hombres por los pies
Reencarnación de la Princesa de Dahomey
Soy marfil,
De las Minas de Salomón
Me esparzo en mí,
Luna llena sobre el carbón

Una mujerona,
Con adornos, cerámica y sisal
Hablo así
La cantidad justa entre la vainilla
y la sal
Cocina de leña,
Botella de arena de colores
Piedra de jabón
Tamiz y agua fresca de moringa
Soy de arrancar cuero
De olfatear oro
Princesa de Dahomey
Soy hecho consumado
Si el pillo se acurruca
Morirá en la estera
Marea engañosa de Paquetá
Soy cosa bendita
Si pruebas mi aluá
Beberás el Polo Norte
bien servido del samovar

Negrito así, oh,
Ya escribió detrás del camión
"La mujer que no se olvida
es de Dahomey"
Hago hechizos
cierro los caminos con las cenizas
Dejo despistado
Loco de remate, atolondrado, gruñón
Para no quedar tonto
mejor huir pronto
Soy de agarrar por los pies
Soy avatar vudú,
Soy de prender fuego
Princesa de Dahomey

Escrita por: Aldir Blanc / João Bosco / Paulo Emilio