Máscaras
Me debati, tentei tapar, porém não deu
De lá pra cá, quase quarenta, o corpo espasma
E vai de novo, até o tempo envelheceu
A alma quer, sufoca sem, pulmão com asma
O caso é sério, e aquele polo, após açúcares
É tédio e fel, e entre os dois a ponte pênsil
Coração burro, mas não ria, os seus nenúfares
(E pelo visto, a morte não será silêncio)
Vagam nas águas da corrente subtérrea
Nenúfares? Não brinque, a carne é noite cega
O perigo da vida como objeto, erra
De tostão a tostão que lhe dá e lhe nega
A mão do mundo ou qualquer outra, doação
Danada; vai, se afogue aí, diz sempre alguém
(Máscaras não, não se resolve a relação)
Ou minha língua já confusa e muito aquém
Caretas
Me debatí, intenté tapar, pero no funcionó
De allá para acá, casi cuarenta, el cuerpo espasmea
Y va de nuevo, hasta que el tiempo envejeció
El alma quiere, sofoca sin, pulmón con asma
El asunto es serio, y aquel polo, tras azúcares
Es tedio y fel, y entre los dos el puente colgante
Corazón tonto, pero no rías, tus nenúfares
(Y por lo visto, la muerte no será silencio)
Vagan en las aguas de la corriente subterránea
¿Nenúfares? No bromees, la carne es noche ciega
El peligro de la vida como objeto, yerra
De centavo a centavo que te da y te niega
La mano del mundo u otra cualquiera, donación
Maldita; ve, ahógate ahí, siempre dice alguien
(Caretas no, no se resuelve la relación)
O mi lengua ya confusa y muy por debajo
Escrita por: João Filho / Sócrates Rocha