O Lobo
O último lobo a cruzar essa chapada
Vermelho, furtivo, brasa da queimada
Talvez saia 'de banda', num velho disco voador
Um quanta, uma possibilidade de vida
Mínima, uma possibilidade de samba
Dança o Lobo Guará com o Índio Goyá
Índio ficção, índio que não houve nem há
Perdeu-se o índio e a terra do índio
Não sobrou nem mesmo o nome
Nem o da rosa, que foi embora, nem o do índio
Pedro, João, talvez Raoni, talvez seja
O último lobo Krahô nessa estrada
Apague a negra luz, os faróis da madrugada
Olhos de lobo mordendo a noite
Onde brilha o fogo, bruto brilho
Lobo correndo, queimando, correndo
Pelo fogo cerrado, fogo cruzado, fogo
Último lobo vermelho índio que houve
E que quase não há
Índio que houve, um quase não-lobo
Índio, Lobo-Goyá
Último lobo brilhante fogo que houve
Não-índio estelar
Índio que houve, último lobo
Índio-Guará
El Lobo
El último lobo en cruzar esta meseta
Rojo, furtivo, brasas del incendio
Quizás se vaya 'de banda', en un viejo platillo volador
Un poco, una posibilidad de vida
Mínima, una posibilidad de samba
Baila el Lobo Guará con el Indio Goyá
Indio de ficción, indio que no existió ni existe
Se perdió el indio y la tierra del indio
No quedó ni siquiera el nombre
Ni el de la rosa, que se fue, ni el del indio
Pedro, João, tal vez Raoni, tal vez sea
El último lobo Krahô en este camino
Apaga la negra luz, los faroles de la madrugada
Ojos de lobo mordiendo la noche
Donde brilla el fuego, brillo bruto
Lobo corriendo, ardiendo, corriendo
A través del fuego denso, fuego cruzado, fuego
Último lobo rojo indio que existió
Y que casi no existe
Indio que existió, un casi no-lobo
Indio, Lobo-Goyá
Último lobo brillante fuego que existió
No-indio estelar
Indio que existió, último lobo
Indio-Guará
Escrita por: Du Oliveira / Itamar Pires Ribeiro