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Carrancas

Sweet Tooth

Carrancas

Mais uma lua negra chegando
os portões estão sendo abertos
Feras com asas densas se exibem
numa mão uma carta de amor
na outra uma espada de dois gumes

Sorrisos comprados
memórias apagadas
Figuras famintas
olhos sempre abertos

O traçado frio causa um enorme vão
Os mestres da cobiça
mesmo estando parados
geram intenso motim
Nas escadas da honradez não há corrimão
mas há sempre aqueles que os carregam
nenhum punho será erguido
nenhuma boca será aberta

Vendo sempre as legiões passarem
percebe-se uma leve falha no sistema
Um pequeno garoto sórdido
com um pote de blasfêmia nas mãos
tenta desviar as atenções
e a putrefação passa despercebida

E continuam eles imóveis
mas seus espantalhos avessos
estão trabalhando
fazendo acepção de vidas
enxugando corações mortos

Todo chão que pisam
Tudo que tocam se torna falso
nem mesmo bocas de lobo
querem sentir seu gosto amargo

Sem nenhum movimento
Sem nenhuma suspeita
planos controladores são escritos
Pergaminhos de seda
a dois palmos de uma fogueira aflitiva

Eis os que foram contaminados
pela cólera de um efêmero deleite
São as mentes que logo irão esquecer
os olhos que deixarão de ver
mas as cabeças sempre se exibirão

Por um grande caminho
vai-se fazendo história
Discursos receosos
ouvidos esperando por música alegre
só um silêncio então
pouco antes da tomada final

Todos sabem o começo
alguns conhecem o decorrer
Os mestres parados exibem seus dentes
o que seria um coração para eles
Por um desleixo se pôs a perder

Carrancas

Otra luna negra llegando
se abren las puertas
Bestias con alas densas se muestran
en una mano una carta de amor
en la otra una espada de doble filo

Sonrisas compradas
memorias borradas
Figuras hambrientas
ojos siempre abiertos

El trazado frío causa un gran vacío
Los maestros de la codicia
aunque estén quietos
generan un intenso motín
En las escaleras de la honradez no hay pasamanos
pero siempre hay quienes los llevan
ningún puño se levantará
ninguna boca se abrirá

Viendo pasar siempre las legiones
se percibe una leve falla en el sistema
Un pequeño niño sórdido
con un tarro de blasfemia en las manos
intenta desviar las miradas
y la putrefacción pasa desapercibida

Y siguen ellos inmóviles
pero sus espantapájaros al revés
están trabajando
ehaciendo distinciones de vidas
secando corazones muertos

Todo suelo que pisan
todo lo que tocan se vuelve falso
ni siquiera bocas de lobo
quieren sentir su sabor amargo

Sin ningún movimiento
Sin ninguna sospecha
planes controladores son escritos
Pergaminos de seda
a dos palmos de una fogata angustiante

He aquí los que fueron contaminados
por la cólera de un efímero deleite
Son mentes que pronto olvidarán
ojos que dejarán de ver
pero las cabezas siempre se exhibirán

Por un gran camino
se va haciendo historia
Discursos temerosos
oídos esperando música alegre
solo un silencio entonces
poco antes de la toma final

Todos conocen el comienzo
algunos conocen el transcurso
Los maestros quietos muestran sus dientes
lo que sería un corazón para ellos
Por descuido se puso a perder

Escrita por: Bruno Aires