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Niño

Taïs Reganelli e Henrique Torres

Menino

Que lábios são estes
que beijam de leste,
que cuidam de mim
e não perguntam de onde eu vim?

Que mão é aquela
que afaga
com luva de lã?

Nada inocente,
tampouco carente,
e que a meninice
a torna demente

Você se fez assim,
menino seguro,
menino de lua,
já impôs seu fim.

Você se fez você,
menino tão pronto
não quer aprender
a viver e a conviver.

Hoje eu não consigo
olhar pro céu sem lembrar
dessa represa de sensações e privações,
e é só assim que eu faço canções.

Niño

Qué labios son estos
que besan del este,
que cuidan de mí
y no preguntan de dónde vengo?

¿Qué mano es aquella
que acaricia
con guantes de lana?

Nada inocente,
tampoco carente,
y que la niñez
la vuelve demente.

Te hiciste así,
niño seguro,
niño de luna,
ya impuso su fin.

Te hiciste tú,
niño tan listo,
no quiere aprender
a vivir y a convivir.

Hoy no puedo
mirar al cielo sin recordar
de esta represa de sensaciones y privaciones,
y es así como hago canciones.

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