Catireiro
Foram ler minha sorte quando eu fui nascido
Minha sina que eu trouxe é de ser divertido
Tenho me regalado tenho padecido
Não são poucos fandangos que eu já tenho ido
Não vou mesmo em catira se não me convidam
Assim ninguém diz que sou oferecido
Quando eu chego nas festas o povo rodeia
Ansioso pra ouvir minha voz sem pareia
Quando eu canto de viola não tem moda feia
A viola nos braços meus dedos ponteia
E no meu repicado o pessoal sapateia
O assoalho da casa até balanceia
Violeiro invejoso me olham de lado
Quando mais me odeia eu canto folgado
Eu não gosto de intriga sou muito educado
Todo lugar que eu chego sou considerado
Mais se alguém me abater eu já fico irritado
A paciência se acaba e meus versos é pesado
Esta vida que eu levo alegre tem sido
No lugar que eu canto não fico esquecido
Sempre deixo saudade coração ferido
Quantas juras de amar eu tenho recebido
Por eu ser violeiro e cantar dolorido
Fiz mulher casada largar do marido
Catireiro
Fueron a leer mi suerte cuando nací
Mi destino es ser divertido
Me he regocijado, he sufrido
No son pocos los bailes a los que he ido
No voy a bailar catira si no me invitan
Así nadie dice que soy ofrecido
Cuando llego a las fiestas, la gente me rodea
Ansiosos por escuchar mi voz sin igual
Cuando canto con la guitarra, no hay canción fea
La guitarra en mis brazos, mis dedos puntean
Y con mi repique, la gente zapatea
El suelo de la casa hasta se balancea
Los envidiosos guitarristas me miran de reojo
Cuanto más me odian, canto más suelto
No me gusta la intriga, soy muy educado
Donde sea que llego, soy bien considerado
Pero si alguien me ofende, me pongo irritado
La paciencia se acaba y mis versos son pesados
Esta vida alegre que llevo
En los lugares donde canto no soy olvidado
Siempre dejo nostalgia, corazones heridos
Cuántas promesas de amor he recibido
Por ser guitarrista y cantar con dolor
Hice que una mujer casada dejara a su marido