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El Gran Viaje

Teixeirinha

A Grande Viagem

Eu comprei uma boiada
Zebu de Minas Gerais
Com destino a Porto Velho
O sertão dos seringais
De trem até Mato Grosso
Depois dali não deu mais
Foi quatro peões comigo
Desviando os pantanais
Valentes por natureza
Por isso eu tinha certeza
De chegar com os animais

Setenta dias de viagem
Homem valente é um asseio
Chapéu quebrado na testa
Meu pingo mascando freio
Cinto rodeado de bala
Pronto pra um tiroteio
Remédio contra malária
De nada eu tinha receio
Miava onça no mato
Puxava o quarenta e quatro
Cortava a fera no meio

Um dia me deu tristeza
A tropa estourou na estrada
Um companheiro rodou
Passou por cima a boiada
Tirei meu laço dos tentos
Prendi ele numa armada
Puxei do meio do gado
Ja não adiantou mais nada
A tropa foi reunida
E o companheiro da lida
Morreu com a espinha quebrada

Na beira do igarapé
Enterramos o parceiro
Nossa jornada seguiu
Mas ficou o companheiro
Chegamos em porto velho
Vendi o gado a um fazendeiro
Pra esposa do finado
Entreguei todo o dinheiro
Me despedi da peonada
Nunca mais toquei boiada
Em homenagem ao tropeiro

El Gran Viaje

Compré un rebaño
Zebu de Minas Gerais
Con destino a Porto Velho
El sertón de los seringales
En tren hasta Mato Grosso
Después de ahí no hubo más
Fueron cuatro peones conmigo
Desviando los pantanos
Valientes por naturaleza
Por eso tenía certeza
De llegar con los animales

Setenta días de viaje
Hombre valiente es un asunto
Sombrero roto en la frente
Mi caballo masticando freno
Cinto rodeado de balas
Listo para un tiroteo
Remedio contra la malaria
De nada tenía miedo
Maullaba la onza en el monte
Jalaba el cuarenta y cuatro
Partía a la fiera por la mitad

Un día me dio tristeza
La tropa se desbocó en el camino
Un compañero rodó
Pasó por encima la boiada
Saqué mi lazo de los tientos
Lo até en una armada
Jalé del medio del ganado
Ya no sirvió de nada
La tropa fue reunida
Y el compañero de la faena
Murió con la espina dorsal rota

En la orilla del arroyo
Enterramos al compañero
Nuestra jornada siguió
Pero quedó el compañero
Llegamos a Porto Velho
Vendí el ganado a un hacendado
A la esposa del difunto
Entregué todo el dinero
Me despedí de la peonada
Nunca más manejé un rebaño
En homenaje al arriero

Escrita por: Teixeirinha