Natureza Morta
A falta de pão é a nossa verdade
A lei é feita por punhais de aço
Luar de prata é a nossa riqueza
Sou lá do sertão, pátria do cangaço
Zabumba bate no meio da noite
Ruas desertas sem brisa, mormaço
Ou, ou, ou, ou
Ou, ou, ou, ou
A justiça foge pro meio do mato
Tem fome aqui cuspida e cantada
Estrelas se apagam no vão do espaço
Sóis que se perderam no meio da estrada
Eu sinto nas cordas da terna viola
Nervos tensos da terra queimada
Ou, ou, ou, ou
Ou, ou, ou, ou
Enxergo o facheiro a face da luz
Do bode eu tiro alimento da dor
Com sangue vermelho eu traço caminho
Do verde da chuva eu tiro o calor
Creio na vida tal como ela é
Morte com fé e não igual a temor
Ou, ou, ou, ou
Ou, ou, ou, ou
Naturaleza Muerta
Ante la falta de pan es nuestra realidad
La ley se impone a punta de cuchillos de acero
La luz de la luna plateada es nuestra riqueza
Soy de la región, tierra del cangaço
El tambor retumba en medio de la noche
Calles desiertas sin brisa, bochorno
Ou, ou, ou, ou
Ou, ou, ou, ou
La justicia huye hacia el monte
El hambre aquí escupida y cantada
Las estrellas se apagan en el vacío del espacio
Soles que se perdieron en medio del camino
Siento en las cuerdas de la tierna guitarra
Nervios tensos de la tierra quemada
Ou, ou, ou, ou
Ou, ou, ou, ou
Veo el cactus frente a la luz
Del chivo saco alimento del dolor
Con sangre roja trazo mi camino
Del verde de la lluvia saco el calor
Creo en la vida tal como es
Muerte con fe y no igual al temor
Ou, ou, ou, ou
Ou, ou, ou, ou
Escrita por: Teo Azevedo, Jose Neumanne Pinto