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Aguas Irreales

Tetê Espíndola

Águas Irreais

Dança dos azuis
Das folhinhas, dos gravetos e dos inhambus
Dos corimbas, dos dourados e dos tuiuiús
Nessas águas, nesse mundo onde tudo é um

Dança uma flor tão solitária
Reza a vida e as histórias desse pantanal
Os humores e mistérios do bem e do mal
Nada disso nunca é o mesmo, nunca é igual
E é assim que a natureza traz o calor

O céu, o som, o cio, o amor
E verdes lagos de aguapés acesos nessas águas irreais
Que refletem a doçura desse pôr do Sol
E que encontram pela noite as constelações
Cantos e sonhos febris aonde ir
Nessas matas alçam aves de puro carmim
Nos corixos cruzam bichos, zanzam sucuris
Nessa terra de horizonte que não tem mais fim
Não tem mais fim

Aguas Irreales

Baile de los azules
De las hojitas, de los palitos y de los inhambús
De los corimbas, de los dourados y de los tuiuiús
En estas aguas, en este mundo donde todo es uno

Baila una flor tan solitaria
Reza la vida y las historias de este pantanal
Los humores y misterios del bien y del mal
Nada de esto nunca es lo mismo, nunca es igual
Y así es como la naturaleza trae el calor

El cielo, el sonido, el celo, el amor
Y lagos verdes de aguapés encendidos en estas aguas irreales
Que reflejan la dulzura de este atardecer
Y que encuentran por la noche las constelaciones
Cantos y sueños febriles a dónde ir
En estas selvas se elevan aves de puro carmín
En los arroyos cruzan animales, zumban las anacondas
En esta tierra de horizonte que no tiene fin
No tiene fin

Escrita por: Arnaldo Black / Tetê Espíndola