Alarido
Quando invadir o seu ouvido o alarido vai lhe aperrear
É capaz de cutucar dentro da jugular
Os tornozelos e joelhos mal conseguirão lhe suportar
O couro cabeludo é puro formigueiro
Quando então tudo o mais ressoar outra vez
A surdez que ficar será singular
Você vai escutar apesar e através
Com maior lucidez pra separar
Dom de dor
Banal de bom
Tom de cor de som
Mil de um
Amor de ardil
Deus de egum
Mas antes disso o rebuliço dissonante assombrará você
Furioso fuzuê, gozo e misererê
Quedê seu pai, seu dicionário, seu canário, seu valor, quedê?
Só resta essa carranca branca feito gesso
Se no fim regressar sua velha audição
Se a razão corriqueira interferir
Cê já vai ter os nervos no diapasão
E a serena tensão pra distinguir
Dom de dor
Banal de bom
Tom de cor de som
Mil de um
Amor de ardil
Deus de algum egum
Quando bater bem no seu tímpano, seu ímpeto vai ser gritar
Mas fique impávido pro silêncio ouvir a música ímpar
Grito
Cuando invada tu oído el grito te va a fastidiar
Capaz de picar dentro de la yugular
Los tobillos y rodillas apenas podrán sostenerte
El cuero cabelludo es puro hormigueo
Cuando entonces todo resuene de nuevo
La sordera que quede será única
Vas a escuchar a pesar y a través
Con mayor lucidez para distinguir
Don de dolor
Banal de bueno
Tono de color de sonido
Mil de uno
Amor de engaño
Dios de espíritu
Pero antes de eso el alboroto disonante te atormentará
Furioso alboroto, placer y desdicha
¿Dónde está tu padre, tu diccionario, tu canario, tu valor, dónde?
Solo queda esa cara blanca como yeso
Si al final regresa tu antigua audición
Si la razón cotidiana interfiere
Ya tendrás los nervios en sintonía
Y la serena tensión para distinguir
Don de dolor
Banal de bueno
Tono de color de sonido
Mil de uno
Amor de engaño
Dios de algún espíritu
Cuando golpee en tu tímpano, tu impulso será gritar
Pero mantente impávido para escuchar el silencio, la música única
Escrita por: Pedro Moraes, Thiago Amud