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Fado

Thiago Nassif

Fado

Uma mulher caminhando pela rua
Ao cair da noite
Tranqüilamente quase nua
Ali é o seu açoite
Torpe desnuda e a vergonha a parte
Navalha, caminha, olha, gesticula
Fumando é uma arte e ao caos se insinua

Os carros passam e os travestis eles partem
Os operários das construções ardem
A noite cai como uma louca
Se despedindo da tarde
A senhora apertando os passos
Passa apressada ao seu lado
Cantarolando um fado
Tu desfazes seus laços

E eu sem pátria olho mudo
A geringonça cheia de segredos práticos
E mudo tudo, mudo tudo.
Abismos mares oceanos ao meu lado

E toda noite ela teme cada passo
Mas se desnuda e nunca foge do tal pecado

Fado

Una mujer caminando por la calle
Al caer la noche
Tranquilamente casi desnuda
Ahí es donde se castiga
Torpe desnuda y la vergüenza aparte
Navaja, camina, mira, gesticula
Fumando es un arte y se insinúa en el caos

Los autos pasan y los travestis se van
Los obreros de las construcciones arden
La noche cae como una loca
Despidiéndose de la tarde
La señora apretando los pasos
Pasa apresurada a su lado
Tarareando un fado
Tú deshaces sus lazos

Y yo sin patria miro en silencio
La máquina llena de secretos prácticos
Y todo cambia, todo cambia
Abismos mares océanos a mi lado

Y cada noche ella teme cada paso
Pero se desnuda y nunca huye de ese pecado

Escrita por: Rubens E. Santo / Thiago Farah Nassif