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Última Tradición

Thiago Thiago de Mello

Última Tradição

Eu sou aquele que ninguém queria ser
Mas não me incomodo se você não vê
Que minha alma está longe dos mercados
E meus modos valem símbolos sagrados

Não quero ser mais a última tradição
Nem o novo fetiche da modernidade
Só que se respeite quando eu digo que não
Que meu chão não é o que se pisa na cidade

Sou antigo, e persigo ainda vivo
Como lenda, que não deixa de fazer sentido
Me procuro, mas perder-se é decisivo
Pois só se encontra quem um dia foi perdido

Minha velha casa hoje é um museu
Que é lugar dos mais doídos desatinos
Mas pajé antigo, que nunca será seu
Não deixa de ter um pra ter muitos destinos

Quando o igarapé desemboca no igapó
Eu remo o casco e ele não me leva à esmo
Minha solidão nunca me deixou só
Por isso quase sempre fui eu mesmo

Última Tradición

Soy aquel que nadie quería ser
Pero no me molesta si no ves
Que mi alma está lejos de los mercados
Y mis modales valen símbolos sagrados

No quiero ser más la última tradición
Ni el nuevo fetiche de la modernidad
Solo pido que se respete cuando digo que no
Que mi suelo no es lo que se pisa en la ciudad

Soy antiguo, y persigo aún vivo
Como leyenda, que no deja de tener sentido
Me busco, pero perderse es decisivo
Porque solo se encuentra quien un día fue perdido

Mi vieja casa hoy es un museo
Que es lugar de los más dolorosos desatinos
Pero el viejo chamán, que nunca será tuyo
No deja de tener uno para tener muchos destinos

Cuando el igarapé desemboca en el igapó
Remo el casco y no me lleva a la deriva
Mi soledad nunca me dejó solo
Por eso casi siempre fui yo mismo

Escrita por: Pedro Ivo, Thiago Thiago de Mello