Última Tradição
Eu sou aquele que ninguém queria ser
Mas não me incomodo se você não vê
Que minha alma está longe dos mercados
E meus modos valem símbolos sagrados
Não quero ser mais a última tradição
Nem o novo fetiche da modernidade
Só que se respeite quando eu digo que não
Que meu chão não é o que se pisa na cidade
Sou antigo, e persigo ainda vivo
Como lenda, que não deixa de fazer sentido
Me procuro, mas perder-se é decisivo
Pois só se encontra quem um dia foi perdido
Minha velha casa hoje é um museu
Que é lugar dos mais doídos desatinos
Mas pajé antigo, que nunca será seu
Não deixa de ter um pra ter muitos destinos
Quando o igarapé desemboca no igapó
Eu remo o casco e ele não me leva à esmo
Minha solidão nunca me deixou só
Por isso quase sempre fui eu mesmo
Última Tradición
Soy aquel que nadie quería ser
Pero no me molesta si no ves
Que mi alma está lejos de los mercados
Y mis modales valen símbolos sagrados
No quiero ser más la última tradición
Ni el nuevo fetiche de la modernidad
Solo pido que se respete cuando digo que no
Que mi suelo no es lo que se pisa en la ciudad
Soy antiguo, y persigo aún vivo
Como leyenda, que no deja de tener sentido
Me busco, pero perderse es decisivo
Porque solo se encuentra quien un día fue perdido
Mi vieja casa hoy es un museo
Que es lugar de los más dolorosos desatinos
Pero el viejo chamán, que nunca será tuyo
No deja de tener uno para tener muchos destinos
Cuando el igarapé desemboca en el igapó
Remo el casco y no me lleva a la deriva
Mi soledad nunca me dejó solo
Por eso casi siempre fui yo mismo
Escrita por: Pedro Ivo, Thiago Thiago de Mello